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Amor Falso Herança Verdadeira romance Capítulo 256

— Srta. Márcia, tem algo que eu não sei se deveria dizer ou não. — Gisele murmurou, após um breve silêncio.

...

Quando Márcia voltou ao camarote, sua expressão já era completamente outra.

Sentou-se ao lado de Nuno. Ele parecia distraído, mexendo no celular. Ao perceber que ela retornava, forçou um sorriso quase automático.

Aquilo só a deixou mais desconfortável.

— Vamos encerrar por aqui. Quero ir embora. — Disse de repente, com uma calma que surpreendeu a todos.

A festa mal havia começado. Como assim já estava terminando?

— Aconteceu alguma coisa? — Nuno franziu o cenho, confuso. — Está se sentindo mal?

— Um pouco... acho que o vinho me deixou tonta. — Respondeu com um sorriso leve, forçado.

A amiga ao lado ficou perplexa.

— Márcia, desde quando você fica tonta com uma taça de vinho...?

Mas não terminou a frase. Um simples olhar de advertência de Márcia a fez recuar imediatamente.

Nuno também pareceu perceber algo no ar. Não insistiu. Levantou-se sem mais perguntas e pegou o casaco.

— Vamos. Eu te levo.

Márcia assentiu e se despediu do grupo:

— Vamos indo. Continuem aproveitando.

Como Nuno já havia pago tudo antecipadamente, a saída deles não atrapalharia o resto da festa.

Os convidados não tentaram convencê-los a ficar, mas entre os amigos de Nuno, o clima ficou estranho.

Será que foi a maneira como ele olhou para Mafalda? Teria Márcia percebido alguma coisa?

Ao passarem pela recepção na saída, Nuno notou que Mafalda já não estava mais lá.

Ainda não conseguia entender o que a levou a trabalhar naquele dia, e ainda mais a atendê-lo pessoalmente.

Mas aquilo, no fim das contas, não era da sua conta.

Mas ele estava fazendo exatamente isso.

Por mais que ele escondesse, mulher sente. E Márcia sentiu.

Ainda mais depois do que Gisele deixou escapar sobre o passado entre os dois.

— Nuno... essa festa de aniversário, você marcou nesse lugar só pra provocar ela? — Perguntou, com um aperto na garganta. — Eu sou só mais uma peça no joguinho de vocês?

Nuno era, sem dúvida, o melhor candidato ao casamento.

A família Fonseca era poderosa, e a união traria benefícios concretos aos negócios e à vida pessoal de Márcia. Além disso, no círculo de herdeiros ricos de San Elívar, Nuno era o mais respeitado — discreto, bonito, com postura que superava até artistas da televisão.

Márcia até pensava: se ele ainda gostasse de alguém do passado, talvez conseguisse engolir o orgulho.

Mas justo aquela mulher? Uma filha adotiva, sem berço, cheia de relacionamentos mal resolvidos...

Ela não entendia como Nuno ainda não tinha superado aquilo.

— Senhorita Márcia, você está enganada. — A voz de Nuno saiu firme, gélida como lâmina. — Eu não trato sentimento com essa leviandade que você está sugerindo. O que dizem por aí não posso impedir, mas escolher acreditar ou não, isso cabe a você.

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