— Quando foi que eu disse... que te odiava?
Rebeca piscou algumas vezes. A expressão denunciava uma gentileza forçada, mas o tom saía surpreendentemente suave.
Por um instante, Bruno quase teve a ilusão de que ela fazia aquilo de propósito, como se estivesse flertando.
— Não foi ontem à noite que você quase me jogou pra fora e disse que chamaria a polícia ao me ver? — Ele se inclinou, se aproximando perigosamente dos lábios dela, a voz preguiçosa, carregada de provocação. — Rebeca, o que você está tramando afinal?
— Eu...
Ela encolheu o pescoço, mas Bruno segurou o rosto dela de repente, as mãos firmes nas bochechas.
A sombra alta do corpo dele trouxe uma pressão invisível. A respiração roçou a lateral do rosto dela, quente.
— Ou será que... — Ele baixou ainda mais a voz. — Quando eu estava completamente bêbado ontem à noite, fiz alguma coisa com você... algo que não sai da sua cabeça?
— Não fala besteira! — As orelhas de Rebeca ficaram vermelhas num instante. Ela apoiou a mão com força no peito dele. — Eu só estou pagando o favor da última vez... Depois desse jantar, ficamos quites.
Quanto mais falava, mais baixo saía o som. O olhar fugia, incapaz de encará-lo.
A desculpa soava fraca até para ela mesma.
Bruno a observou por alguns segundos, como se tentasse atravessar a superfície e enxergar o que ela realmente pensava.
Ele não esperava que Rebeca tomasse a iniciativa de se aproximar assim.
Por acaso, o humor dele não estava dos melhores naquele dia. Aquilo vinha a calhar, servia para distrair a cabeça.
E, de quebra, descobrir o que aquela garota realmente pretendia.
Bruno escolheu um restaurante japonês não muito longe do Grupo Fonseca. O chef era renomado, a privacidade excelente, e os preços, igualmente altos.
Uma única refeição ali consumia mais da metade do salário mensal de Rebeca.
Ainda assim, ela não demonstrou qualquer hesitação. Deixou tudo a cargo dele.
No reservado, durante o jantar, Rebeca continuou lançando olhares furtivos na direção de Bruno.
Ele percebeu. Comeu com calma por um tempo antes de perguntar, de repente:
— Eu sou tão bonito assim?
O comentário a puxou de volta à realidade. Rebeca abaixou a cabeça imediatamente.
Rebeca não conseguiu dizer uma palavra.

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