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Amor Falso Herança Verdadeira romance Capítulo 314

Nuno sabia que a retenção para investigação, as acusações de supostos crimes comerciais e a restrição de saída do país não passavam de uma armadilha.

A família Sampaio mantinha relações comerciais antigas com Eldoria. Além disso, o crescimento dos Fonseca estava diretamente ligado à economia de Astério. Atacá-lo podia servir tanto a interesses diplomáticos quanto a uma retaliação privada.

Ele não temia as acusações.

Não violou nenhuma norma. Mesmo que o processo se arrastasse nos tribunais, seria apenas uma questão de tempo.

No pior cenário, se não pudesse retornar ao país, o impacto sobre Felipe e sobre o Grupo Fonseca ainda seria limitado.

Nuno estava disposto a suportar pressão. Se fosse preciso, enfrentaria tudo até o fim para defender os interesses da família.

O que o inquietava era outra coisa.

Não conseguia entrar em contato com o pai. Temia que Felipe perdesse a lucidez por causa dele.

Por isso insistia no direito de fazer uma ligação.

De repente, no entanto, os funcionários da embaixada informaram que ele estava liberado sob fiança.

Aquilo o deixou desconfiado.

— Nuno!

A voz feminina ecoou pelo corredor.

Ele se virou, ainda com a mão cerrada de tensão, e por um instante pensou estar imaginando.

— Mafalda?

— Você está bem?

Ela se aproximou rápido, examinando-o de cima a baixo.

Nuno parecia intacto. Camisa e terno impecáveis. Apenas o semblante denunciava o desgaste. Olheiras profundas. O olhar exausto.

Provavelmente não dormiu direito por dias.

— Eu estou bem...

A incredulidade marcou seu rosto.

— Mas você... o que está fazendo aqui?

— Agora não. Vamos sair daqui primeiro.

Mafalda segurou a mão dele com firmeza. Respirou fundo antes de completar:

— Lembra disso. Somos um casal. Você é meu noivo.

Mafalda apenas sustentou seu olhar por um instante. Bastou.

O motorista era de Eldoria. Conversar abertamente não era prudente.

Se ela conseguiu retirá-lo dali, ele precisava confiar.

Percebendo o motorista observá-los pelo retrovisor, Nuno puxou Mafalda suavemente e apoiou a cabeça dela sobre seu ombro.

— Você sentiu minha falta nesses dias? — Murmurou ela, com um brilho divertido nos olhos, aproveitando a encenação.

— Senti.

O pomo-de-adão dele se moveu.

Talvez achasse a resposta seca demais, porque acrescentou, mais baixo:

— Não só nesses dias. Eu sempre senti.

Sabia que a frase fazia parte do teatro. Mesmo assim, algo na expressão de Mafalda se suavizou.

Ela sorriu de leve.

— Eu também.

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