— Disseram que a senhora ainda não tem as permissões da empresa... então, por enquanto, não podem liberar nada. — O assistente abaixou a cabeça, visivelmente frustrado. Já havia enfrentado resistência.
Ayla já havia retornado ao Grupo Fonseca fazia alguns dias, mas os acionistas continuavam evitando a encontrar, e todos os assuntos da empresa lhe eram ocultados.
Ela sabia bem o motivo: Carolina estava controlando os acionistas e a alta direção, tentando deixar ela completamente à margem.
Se aquilo continuasse, Ayla estaria cada vez mais isolada dentro do Grupo Fonseca.
— Toc, toc.
Naquele momento, bateram à porta.
Ayla respondeu com um leve "Entre", e Bruno entrou.
Trazia alguns documentos finos nas mãos. Com um simples olhar, indicou ao assistente que saísse da sala.
Os papéis foram colocados sobre a ampla mesa de ébano polido. Ayla lançou um olhar e identificou: se tratava de um projeto abandonado, pertencente ao Grupo Fonseca.
Um verdadeiro fiasco, já havia gerado prejuízos de mais de cem milhões, com a cadeia de financiamento completamente comprometida.
— O que significa isso? — Ayla ergueu os olhos, encarando o olhar gélido e irônico de Bruno.
— Ouvi dizer que a minha irmãzinha tem um talento especial para gerenciar projetos. — Disse Bruno com um meio sorriso, antes de se acomodar com naturalidade em uma poltrona de couro italiano feita sob medida.
O terno que usava era impecável... caimento perfeito, tecido de primeira. A luz do sol atravessava a janela, refletindo sobre ele um brilho sutil de opulência.
— Imagino que sua equipe não tenha falta de talento. Além disso, faço parte da diretoria, não sou responsável por gerenciar projetos. — Ayla respondeu com calma, perfeitamente consciente da provocação. Seu tom permanecia sereno, sem qualquer traço de emoção.
— Claro. Talento, o Grupo Fonseca ainda tem de sobra. — Bruno entrelaçou os dedos sobre o colo, inclinando ligeiramente a cabeça com outro sorriso frio.
— Eu sei que você quer assumir logo os assuntos da empresa Mas se não conseguir conquistar a confiança da diretoria e dos acionistas, fica difícil para mim e para mamãe liberarmos os acessos.
— Imagino que essa "confiança" dos acionistas e da diretoria dependa única e exclusivamente de você e da Sra. Carolina, não? — Ayla disse em voz baixa, com um leve toque de sarcasmo.

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