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Amor Falso Herança Verdadeira romance Capítulo 721

— Vamos voltar para San Elívar amanhã?

Letícia ficou surpresa.

Antes, Ayla disse que queria continuar ali para se recuperar e que talvez ficasse por mais algum tempo.

Mas todos sabiam o verdadeiro motivo.

Daniel.

Ayla ainda não desistiu dele. Ainda acreditava que pudesse estar vivo.

— Sim. Está na hora de voltar.

Letícia lançou um olhar para Cassian.

Ele estava sereno, e o olhar que dirigia a Ayla carregava um carinho e uma paciência raros.

Nem mesmo com Daniel costumava mostrar aquele lado tão paternal.

— Ayla, se quiser ficar aqui, eu fico com você. Não importa por quanto tempo.

Letícia segurou suas mãos.

— Você não precisa se forçar a voltar por causa de empresa nenhuma. O Grupo Cardoso e o Grupo Fonseca não vão parar de funcionar porque uma pessoa se afastou. E negócios nunca acabam. Sempre haverá outro problema, outra disputa, outra coisa esperando para ser resolvida.

Sua voz ficou ainda mais cuidadosa.

— Você não precisa carregar responsabilidade nenhuma agora. Só precisa cuidar de si mesma e proteger bem o filho de vocês.

Letícia pensava diferente de Cassian.

Mesmo que quisesse ver Ayla se reerguer, isso não significava empurrar sobre seus ombros ainda mais peso.

Responsabilidade?

Dever?

Nada disso importava para ela.

Só queria que sua nora ficasse bem.

Os olhos de Ayla se aqueceram.

Ela sorriu e passou os dois braços pelo braço de Letícia.

— Mãe, a senhora sofreu muito por minha causa nesses últimos dias. Obrigada por cuidar de mim.

Sua voz era suave.

— Eu estou bem. Não vou me obrigar a nada. Não precisa se preocupar.

Letícia ainda queria insistir, mas Ayla continuou:

— Eu e meu pai já organizamos a viagem. Ainda tenho algumas coisas para resolver hoje, então depois conversamos com mais calma.

Assim que Ayla saiu, Letícia deu um tapa no braço de Cassian.

— Você só vai sossegar quando me matar de raiva? Ainda não acha que já deve demais ao Daniel nesta vida?

Ao dizer o nome dele, os olhos de Letícia voltaram a arder.

A dor também transpareceu claramente no rosto de Cassian.

Ele não tentou se defender. Aceitaria qualquer bronca. Qualquer tapa.

Porque, no fundo, ele próprio ainda não conseguia se perdoar.

Depois de sair do hotel, Ayla foi direto para a Mansão Vale Arcádia.

O Sr. André já a esperava na biblioteca.

Dessa vez, Renata apenas a conduziu até lá.

Ninguém tentou recolher seu celular como de costume.

E Ayla também não pretendia entregar.

O Sr. André já estava velho.

A partir daquele dia, as regras da família Fonseca também poderiam começar a ser escritas por ela.

— Como está se sentindo?

Sentado diante de uma longa mesa de madeira antiga, o Sr. André abriu a conversa com uma pergunta sobre sua saúde.

Mas não havia qualquer calor em sua voz.

Ayla não respondeu.

Seus olhos passaram pelo chá e pelas pinturas espalhadas sobre a mesa.

Ela baixou o olhar e deslizou os dedos de leve sobre um dos objetos.

— Amanhã volto para San Elívar.

O Sr. André demonstrou uma breve surpresa.

Desde que Ayla apareceu de repente diante dele, já sabia que aquela conversa não seria simples.

Ayla nunca foi fraca. Muito menos fácil de controlar. E, quando alguém a feria, ela não esquecia.

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