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Amor Falso Herança Verdadeira romance Capítulo 736

— O que foi? Ficou sem resposta? — Rebeca aproveitou o silêncio para atacar de novo, certa de que Bruno finalmente esgotou suas mentiras.

Bruno curvou os lábios. A tentativa de sorriso apertou as lágrimas nos cantos de seus olhos.

Ao virar o rosto, ele as enxugou depressa com a ponta dos dedos.

— O que mais quer que eu diga? Expliquei tudo o que podia. Se você não acredita, não há mais nada a dizer...

Por um instante, Rebeca jurou ter visto Bruno chorar.

Ela respirou fundo, agarrou a bolsa e saiu da sala privativa.

Assim que deixou o bar, chamou um táxi e entrou às pressas. A urgência denunciava o medo de que Bruno surgisse atrás dela a qualquer momento.

Só quando o carro percorreu uma boa distância, Rebeca baixou o vidro. O vento noturno bateu em seu rosto e, pouco a pouco, acalmou a inquietação que ainda ardia em seu peito.

Ela esperou tanto por aquele momento.

Finalmente viu Bruno atormentado, obrigado a baixar a cabeça.

A satisfação, porém, durou pouco. Quando percebeu, já desapareceu por completo.

Ao despejar todo o ódio, Rebeca descobriu o que vinha depois: um vazio imenso.

Na tarde seguinte, o grupo geral interno do Grupo Fonseca recebeu um comunicado:

[Bruno Fonseca foi destituído do cargo de vice-presidente. A função será assumida interinamente por um dos executivos veteranos da empresa.]

Enquanto atravessava os departamentos para entregar documentos, Rebeca ouviu vários funcionários comentarem o afastamento de Bruno.

— Vocês ficaram sabendo? Viaturas da polícia pararam na porta da empresa hoje de manhã.

— Eu vi. O Sr. Bruno subiu com os policiais...

— Bruno? Não disseram que ele saiu por motivos pessoais?

— Que motivos pessoais? Ele está sob investigação... Dizem que, nos últimos dois anos, ajudou a Sra. Carolina a desviar uma fortuna em ativos da empresa. Violou gravemente o acordo de não concorrência, e ainda há suspeita de crime. Agora que a Sra. Carolina se envolveu em problemas no exterior e entrou na mira das autoridades, ele também não vai escapar...

— Isso não dá cadeia?

— Não sei se chega a tanto, mas a carreira dele em San Elívar acabou...

Rebeca não queria dar atenção à conversa, mas aquelas pessoas falavam alto demais.

Mafalda se virou para encher um copo de água.

— Pensei que ficaria feliz com a saída definitiva de Bruno do Grupo Fonseca. Por que está com essa expressão tão pesada? — Mafalda continuou de costas para ela.

— Estou feliz, sim. — Rebeca respirou fundo e esboçou um sorriso.

Mafalda não insistiu.

Também não acreditava que Rebeca sentisse alguma coisa por Bruno. Ainda assim, os dois andaram próximos demais nos últimos tempos. Mesmo quando se odiava alguém, tanta proximidade podia deixar emoções difíceis de nomear.

Mafalda abriu a geladeira e tirou duas caixas de doces, ambas embaladas com extremo cuidado.

Uma era para Rebeca. A outra, para Ayla.

— Soube que Ayla não está bem. Ela nem veio à empresa hoje, e você costuma passar um tempo com ela, não é? Leva isto para ela, por favor?

Naquela manhã, Mafalda entrou na fila de uma das confeitarias mais disputadas da cidade às seis em ponto.

Comprou uma unidade de cada especialidade da casa.

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