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Amor Falso Herança Verdadeira romance Capítulo 956

Rebeca deixou o bolo sobre a mesa e voltou direto para a cozinha. Não lhe ofereceu água, muito menos perguntou se queria se sentar.

Bruno entendeu a recepção. Ainda assim, acomodou-se no sofá como se nada estivesse fora do lugar.

Da sala, enxergava a cozinha aberta. Rebeca e Sandro trabalhavam tão próximos diante da bancada que os ombros quase se tocavam. Entre uma tarefa e outra, ela dizia alguma coisa, ele respondia, e os dois riam num tom baixo que não chegava inteiro até Bruno.

Rebeca entregou a Sandro a bebida que acabara de preparar. Ele provou uma colher, avaliou o sabor e assentiu.

— Ficou bom.

Em seguida, serviu um copo e veio até a sala.

— Receita da Rebeca. Está muito gostoso.

Os lábios de Bruno esboçaram um movimento curto, sem chegar a formar um sorriso. Ele aceitou o copo e o deixou intacto sobre a mesa de centro.

— Obrigado.

Sandro não voltou imediatamente para a cozinha.

— E você, como está? Os ferimentos já melhoraram?

O tom continuava casual, mas a atenção com que o observava não trazia ironia. Bruno sustentou aquele exame por alguns segundos, procurando uma provocação que não encontrou.

— Estou bem melhor.

— Ótimo. Conheço alguns medicamentos muito bons para cortes profundos e para reduzir cicatrizes. Vou anotar os nomes.

Sandro conseguiu papel e caneta, escreveu algumas linhas e lhe entregou a lista.

Bruno recebeu o papel sem comentar. O copo permanecia sobre a mesa, a bebida ainda sem um gole. Por alguns segundos, só o ruído de uma panela vindo da cozinha ocupou a sala.

— Sandro?

O chamado de Rebeca desfez o silêncio.

Ele se levantou no mesmo instante e voltou para junto dela.

Não demorou para que a comida começasse a chegar à mesa. Como ainda se recuperava, Bruno não precisou fazer nada além de esperar.

Sandro e Rebeca trouxeram pratos, talheres e travessas entre a cozinha e a sala. Ela indicava com um movimento do queixo onde cada coisa devia ficar. Ele entendia antes que ela precisasse repetir. Quando Rebeca estendeu as mãos para uma travessa quente, Sandro a tomou primeiro e abriu espaço para que ela passasse.

A cada entendimento silencioso entre os dois, um ponto na têmpora de Bruno pulsava com mais força.

Até que ele não conseguiu mais conter a irritação.

— Por que só tem carne? Não fizeram nem uma salada? Eu ainda estou convalescendo. Uma refeição tão gordurosa não desce.

O ruído dos pratos cessou ao redor da mesa.

Rebeca já suportava a presença de Bruno por obrigação. Quando ele começou a reclamar da comida, a mão que segurava a travessa parou no ar.

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