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Amor Falso Herança Verdadeira romance Capítulo 815

A lâmina avançou um pouco mais.

A ponta afiada quase rompeu a pele, e uma dor sutil começou a se espalhar pelo pescoço de Daniel.

Ainda assim, ele nem sequer franziu a testa.

— Se é isso que ela quer ver, farei sem hesitar.

Suas palavras surpreenderam o homem atrás dele.

Antes que conseguisse compreender o verdadeiro significado da frase, um golpe violento atingiu seu ombro, e todo o braço ficou dormente.

Seus dedos se abriram.

Daniel girou o corpo com agilidade, e, num piscar de olhos, a adaga passou para suas mãos, ainda presas atrás das costas.

Ninguém percebeu quando ele conseguiu afrouxar as cordas.

Daniel se moveu com extrema rapidez e ergueu a lâmina.

Assustado, o homem recuou vários passos e levantou os braços para se proteger.

Acreditou que Daniel o atacaria.

No instante seguinte, porém, um grito feminino e desesperado atravessou o cômodo:

— Daniel!

Todos ficaram paralisados diante da cena.

A ponta da adaga continuava voltada contra o próprio pescoço de Daniel.

Um filete tortuoso de sangue já descia por sua pele clara.

De costas para a pequena janela, ele teve sua silhueta alta e imponente recortada pela luz da lua. Sua sombra se alongou pelo chão até alcançar os pés da mulher.

Ayla praticamente correu até ele.

No instante em que seus olhares se encontraram, os dedos de Daniel se abriram.

A adaga caiu no chão com um som metálico.

O canto de seus lábios se ergueu levemente, enquanto uma tempestade se formava em seus olhos negros.

Daniel permaneceu imóvel por alguns instantes, como se ainda não acreditasse no que via.

Só então avançou em direção a Ayla.

Mas, antes que pudesse tocar a mulher por quem ansiava dia e noite ou contemplar seu rosto com atenção, um tapa desferido com toda a força atingiu sua face.

O estalo seco ecoou pela construção vazia.

O golpe foi tão forte que Daniel quase perdeu o equilíbrio.

Seu rosto virou bruscamente para o lado, e a dor ardente o fez franzir a testa.

A mão de Ayla continuava suspensa no ar, tremendo levemente.

Mesmo assim, foi exatamente o que fez.

E o pior de tudo era que, apesar de enxergar a armadilha, escolheu responder daquela forma.

Uma pessoa só deveria se despedir de outra uma única vez.

Se Daniel realmente queria partir, não precisava obrigá-la a sofrer duas vezes.

Cada palavra de Ayla atravessou o coração dele como uma lâmina.

Doía mais do que o tapa.

Sufocava mais do que o corte em seu pescoço.

Daniel contemplou a mulher diante de si, com os olhos cheios de lágrimas e o rosto tomado pela fúria.

As emoções que transbordavam de seu olhar pareciam apertar o coração dele com tanta força que até respirar se tornou difícil.

— Lalá, me desculpe...

Só depois de um longo silêncio Daniel conseguiu falar, com a voz rouca.

Ele estendeu a mão para tocar o ombro trêmulo de Ayla.

Ela, porém, recuou bruscamente e evitou seu toque.

— Nem todo pedido de desculpas merece perdão. Acha que parece um herói toda vez que se sacrifica sem pensar? Agora... você é a pessoa que eu mais odeio.

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