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Amor Falso Herança Verdadeira romance Capítulo 818

Daniel se atrapalhou ao tentar enxugar as lágrimas no canto dos olhos de Ayla.

Tomado pela culpa, segurou a mão dela e a fez bater contra seu próprio peito.

— A culpa é minha. Eu mereço morrer!

— Nunca mais diga essa palavra!

Ao ouvi-lo, Ayla se desesperou ainda mais.

Ela soltou a mão e o empurrou.

Daniel recuou até o canto da parede, logo abaixo da janela. A luz prateada da lua escorreu sobre os dois e envolveu suas silhuetas entrelaçadas.

— Está bem. Não vou dizer...

Daniel a observava com os olhos profundos e as sobrancelhas contraídas.

Seu coração parecia se partir em inúmeros pedaços, tomado pela culpa e pela dor que sentia por ela.

— Daniel, você é meu marido.

Ayla inclinou o corpo para a frente.

Diante do peito amplo de Daniel, sua figura pequena lembrava uma gata buscando abrigo nos braços do dono.

No entanto, as palavras que pronunciou com os olhos vermelhos soaram firmes e poderosas. Sua presença não cedia um centímetro diante da dele.

— Vou dizer mais uma vez. O marido que eu, Ayla, quero é um homem de carne e osso. Um homem que sente dor, que se cansa e que precisa de mim tanto quanto eu preciso dele.

Ela sustentou seu olhar.

— Não quero um herói invencível que só sabe se sacrificar. Muito menos um homem que me condena a viver cercada de insegurança e medo.

Sua voz falhou por um instante.

— Desse tipo de amor... eu prefiro abrir mão.

As palavras fizeram o corpo inteiro de Daniel estremecer. Suas pupilas se contraíram violentamente.

Nunca viu Ayla adverti-lo com tamanha intensidade e seriedade.

Também jamais imaginou que toda a sua entrega pudesse assumir uma forma tão cruel e destrutiva.

No amor, Daniel não era tão firme nem tão seguro quanto acreditava.

Não possuía a coragem de Ayla.

— Lalá, não me abandone.

Sua voz saiu baixa.

A súplica soou humilde, quase reduzida a nada. Ainda assim, pela primeira vez, foi completamente franca e sem reservas.

Daniel dizia que confiava em Ayla.

Na verdade, porém, sempre sentiu medo.

— Precisamos ir para o hospital agora...

Daniel a puxou de volta e a prendeu em seus braços.

Ele a observou com um sorriso fraco nos lábios. Seu rosto estava ainda mais pálido, e um cansaço profundo preenchia seus olhos.

— Estou bem. Na verdade, depois de ver você, já me sinto muito melhor.

Daniel respirou devagar.

— Agora me escute. Vou lhe contar com clareza tudo sobre meu estado, está bem?

Aquelas palavras finalmente apagaram a raiva no coração de Ayla.

Ela piscou duas vezes e assentiu, obediente.

Daniel acariciou seu rosto. As pontas dos dedos percorreram as marcas deixadas pelas lágrimas e pressionaram a pele com leveza, como se tentassem apagar toda a mágoa acumulada durante aqueles dias.

— Meu tumor avança muito devagar e não piorou. Estou me sentindo um pouco mal agora... mas é só porque me esforcei demais.

Ele fez uma pequena pausa.

— Não procurei você durante esses dias porque o tratamento foi muito doloroso. E porque eu realmente não conseguia enfrentar você nem a mim mesmo.

Sua voz baixou.

— Embora agora... eu pareça normal, pouco tempo atrás eu não passava de um inválido.

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