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Amor Falso Herança Verdadeira romance Capítulo 834

Samuel só deu tanta importância àquela joia porque queria arrancar um sorriso da esposa.

Foi por Carolina que insistiu em ir pessoalmente ao aeroporto naquela madrugada.

Assim que descobriu toda a história, Ayla entrou em contato com o advogado.

Entre todos os bens relacionados no inventário de Samuel, apenas um sempre lhe pareceu estranho.

O Coração de Vardênia, avaliado em trezentos milhões, permanecia sob custódia de uma casa de leilões. Samuel não o deixou como herança para Ayla. Cabia a ela apenas zelar pela peça.

Quando Ayla abriu o cofre onde a joia estava guardada, encontrou a carta de Samuel sob o estojo.

O Coração de Vardênia nunca foi destinado a Ayla.

Sempre pertenceu a Carolina.

No mesmo cofre, havia ainda os documentos de duas patentes que o Grupo Fonseca nunca registrou.

Eram tecnologias essenciais de biotecnologia, desenvolvidas por Samuel e Carolina quando ainda trabalhavam lado a lado.

Samuel deixou tudo para ela.

A joia e as duas patentes bastavam para garantir a Carolina várias vidas sem qualquer preocupação financeira.

Ao encontrar aqueles objetos, Ayla finalmente compreendeu o coração do pai.

O amor de Samuel por Carolina era muito mais profundo do que qualquer pessoa imaginava.

Os dois, porém, desejavam futuros diferentes.

Se Carolina continuasse à frente do Grupo Fonseca, sua vida dificilmente seguiria o rumo tranquilo que esperava. Muito provavelmente, passaria o resto dos anos lutando pela empresa e carregando sozinha todo o peso da família Fonseca.

Samuel não suportava a ideia de ver a mulher que amava enfrentar tudo sem ninguém ao seu lado.

Com aquelas patentes, Carolina poderia construir um novo império ou simplesmente abandonar tudo.

Pela primeira vez, a escolha seria apenas dela.

Samuel também conhecia as personalidades de Ayla e Carolina melhor do que ambas imaginavam.

Foi por isso que entregou o Grupo Fonseca a Ayla.

Sem aliados, sem influência e reconhecida de repente como uma filha nascida fora do casamento, Ayla seria presa fácil para a família Fonseca e para as forças que dominavam San Elívar.

Somente o controle absoluto da herança poderia impedir que a esmagassem.

Um leve farfalhar rompeu o silêncio.

Ayla ergueu os olhos devagar.

A carta amassada caiu junto à borda da mesa. Carolina mantinha as mãos cerradas e os olhos apertados com força.

Uma lágrima solitária percorreu seu rosto até alcançar o canto da boca.

Ele não perdeu...

Nunca perdeu!

E, no fim, quem perdeu tudo foi ela.

Por que descobrir que Samuel nunca a traiu doía muito mais do que acreditar naquela traição durante todos esses anos?

— Você odiava meu pai, não odiava? Agora conhece a verdade. Não deveria enfim se sentir livre?

Ayla se levantou e contemplou Carolina de cima, sem alterar a expressão.

Carolina a ignorou.

De repente, apanhou a carta de Samuel e, com o rosto vermelho de fúria e dor, rasgou o papel em incontáveis pedaços.

— Você está mentindo! Quer me ver sofrer, não é? Não vou dar esse gosto a você! Você e seu pai são iguais: dois hipócritas sem coração!

Fora de si, Carolina tentou avançar sobre Ayla, mas os policiais ao lado a imobilizaram no mesmo instante.

— Carolina, você poderia ter confiado no meu pai. Ele fez tanto por você. Se guardasse por ele ao menos um pouco de gratidão, jamais chegaria a esse ponto. Mas você nunca acreditou em ninguém além de si mesma.

A voz de Ayla não carregava qualquer calor.

— Ou talvez não seja bem assim. Você passou tempo demais na escuridão. Quando finalmente encontrou a luz, já não sabia como permanecer nela.

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