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Amor Falso Herança Verdadeira romance Capítulo 854

Mas Sandro sabia que não teria tempo para nada daquilo.

Ayla abriu os lábios. O pedido para que ele ficasse chegou à ponta da língua, mas morreu antes de ganhar voz.

Sandro vivia segundo regras que não eram as deles. Chegava e partia como o vento. Para ele, San Elívar talvez fosse apenas mais um lugar de passagem.

— Você vai voltar?

Sandro negou com a cabeça.

— Não sei. Talvez a gente nunca mais se veja.

A frase soou definitiva demais.

O peito de Ayla se apertou. A voz de Sandro permanecia serena, mas não escondia uma tristeza difícil de nomear.

Daniel pareceu compreender.

— Mesmo que não nos vejamos outra vez, espero que fique bem.

Rebeca avançou alguns passos, passou por Ayla e parou diante de Sandro.

Os dedos amassavam distraidamente a barra da roupa. O olhar permanecia preso ao rosto dele, e seus lábios estavam tão comprimidos que perderam a cor.

Sandro baixou os olhos. Por um breve instante, o olhar se demorou no rosto dela — tão fugaz que quase pareceu uma ilusão.

Em seguida, tirou do bolso uma pequena caixa preta, lisa, sem marca alguma, do tamanho da palma da mão, e a entregou a Ayla.

— Para o seu filho. Não vale muito. É para quando precisar se defender.

A caixa pesou na mão de Ayla. O frio do metal se espalhou por sua palma.

Talvez guardasse uma adaga artesanal ou algo parecido.

Ela não abriu.

— Obrigada.

Sandro respondeu com um murmúrio baixo. Parecia não haver mais nada a dizer.

Então se virou para partir.

— Sandro.

Ayla o chamou mais uma vez e lançou um olhar para Rebeca, ainda presa entre falar e se calar.

— Rebeca, acompanhe Sandro. Daniel e eu vamos voltar.

Rebeca se surpreendeu. Assim que Ayla terminou de falar, sentiu um leve empurrão nas costas e, quando percebeu, já estava um passo à frente.

Seus olhos encontraram os de Sandro.

Ela assentiu depressa.

Falava da noite em que ela e Bruno correram perigo no prédio do Grupo Fonseca.

Na confusão, entre levar Bruno ao hospital e entregar as provas na delegacia, mal conseguiu trocar duas palavras com Sandro.

Sandro ficou imóvel por um instante.

Dentro do bolso da calça, sua mão se moveu discretamente.

Naquela noite, depois de salvar os dois, ele se virou e encontrou Bruno ferido, com Rebeca curvada ao seu lado, aflita.

Sandro também saiu machucado.

Uma lâmina abriu sua palma. O corte não era fundo, mas o sangue se acumulou em sua mão fechada.

Rebeca, porém, não olhou uma única vez naquela direção.

Bruno estava muito pior. Sandro sabia disso.

Mesmo assim, por um breve instante, desejou que alguém também perguntasse se ele estava bem.

Até então, jamais sentiu falta desse tipo de cuidado.

Lembrou de Ayla e Daniel naquele ônibus, dispostos a entregar a própria vida um pelo outro.

Depois, ao ver Rebeca e Bruno, o vazio dentro dele pareceu ainda maior.

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