— Pai.
Mal a palavra saiu da boca, um fichário voador passou raspando pela lateral de seu rosto!
Armando não disse nada, mas a fúria já tomava conta de toda a sala.
— Eu sei que o senhor está bravo, mas foi realmente a Bianca que eu chamei para ajudar...
— Está sentindo pena dela? — O rosto de Armando manteve-se impassível, mas a ironia na voz era afiada. — Se quiser ir com ela, eu também já preparei sua carta de renúncia.
E não era força de expressão. Havia, de fato, um contrato bem diante de Gustavo.
Era para ele.
Bastava assinar, e ele deixaria o cargo de diretor executivo naquele mesmo dia, renunciaria a todas as ações da empresa e se desligaria da família Siqueira.
Diante do documento, Gustavo finalmente entrou em pânico.
Armando tinha o apoio de todos os acionistas, se quisesse tomar tudo de volta, era questão de tempo.
— Pai, não foi isso que eu quis dizer.
— Minhas decisões não precisam da sua aprovação. Quanto à Bianca, você sabe muito bem o que tem que fazer. Se eu souber que ainda tem contato com ela, não será só ela quem vai pagar o preço. E você não vai mais tocar em nada do Grupo Siqueira. Mesmo que você seja meu único filho, jamais deixarei essa empresa para alguém que envergonha nossa família e engana os próprios pais.
A voz de Armando era fria. As palavras, calmas, mas cada uma delas pesava como chumbo.
Gustavo conhecia o pai. Ele sempre fora obstinado, e tudo que dizia, cumpria.
— Pai, eu reconheço meu erro. Mas o senhor precisa acreditar em mim, entre mim e a Bianca não há mais nada. Tudo que fiz foi pensando no bem do Grupo Siqueira.
— Já entendi tudo sobre a Ayla. Mesmo que ela seja impulsiva, você não pode arrumar briga com ela justo agora. — Disse Armando, com desdém.
Armando não tinha paciência para ouvir as desculpas de Gustavo. Ele estava ali para resolver problemas — o desenvolvimento do Grupo Siqueira era a prioridade máxima.
Na visão dele, embora Ayla tenha andado desobedecendo a sogra e andasse com um gênio mais difícil, tudo isso era reflexo da incompetência de Gustavo, que nem conseguia controlar a própria mulher. No fim das contas, a empresa ainda precisava se apoiar em uma mulher para se manter de pé.

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