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Amor Falso Herança Verdadeira romance Capítulo 941

Diante do pedido de Enzo, Isadora não teve escolha. Estendeu a mão mais uma vez.

Ao baixar o rosto, porém, seus olhos escaparam para a faixa de pele que a toalha e a camisa aberta deixavam exposta.

A voz provocadora de Cecília ressurgiu em sua memória.

— Você não acha que ele é bonito?

Isadora desviou o olhar depressa demais.

Enzo estava profundamente embriagado e mal conseguia coordenar os próprios movimentos. Depois de conduzir o homem até o quarto, ela decidiu lhe dar alguma privacidade para que se enxugasse e vestisse roupas secas.

Os minutos passaram sem que qualquer ruído viesse de dentro.

Inquieta, Isadora voltou ao quarto e encontrou Enzo caído no chão outra vez.

Ao menos ele conseguiu tirar a camisa encharcada, agora abandonada a poucos passos de distância.

Sem outra opção, Isadora o ajudou a se sentar e apoiou suas costas na lateral da cama. Depois pegou uma toalha seca e começou a remover, com cuidado, a água que ainda cobria seu corpo.

Enzo permanecia de olhos fechados. Parecia adormecido e não esboçava reação alguma aos movimentos dela.

Aos poucos, o olhar de Isadora se demorou sobre seu torso nu.

A musculatura enxuta do peito e do abdômen se movia discretamente ao ritmo de sua respiração. Havia força em cada linha daquele corpo, uma beleza contida que a sobriedade dos ternos sempre manteve escondida.

Quanto mais observava, mais o calor se espalhava sob sua pele.

As mãos de Isadora pararam de repente.

Só então ela percebeu que a calça de Enzo também estava completamente encharcada.

Aquilo, porém, ela não podia fazer por ele.

Nesse exato momento, Enzo abriu os olhos.

Isadora virou o rosto imediatamente.

— Sua calça também está molhada. O roupão está aí ao lado. Consegue trocar sozinho?

Um rubor discreto subiu ao rosto dele. Enzo assentiu.

Com movimentos lentos e pesados, apoiou as mãos no chão e conseguiu se sentar um pouco melhor. Ainda parecia exausto, mas ao menos dava a impressão de que conseguiria terminar sozinho.

Isadora se levantou e deixou o quarto quase depressa demais.

Na sala, serviu um copo de água morna. Em seguida, recolheu na porta a encomenda da farmácia, conferiu as instruções e retirou dois comprimidos da cartela.

Quando voltou ao quarto, Enzo já vestia o roupão.

— Tome. Vai ajudar a aliviar o mal-estar.

Isadora lhe entregou o remédio e a água.

Enzo recebeu os dois, mas não os levou imediatamente à boca. Em vez disso, permaneceu olhando para ela, absorto.

A jovem herdeira mimada e voluntariosa que ele imaginava conhecer também sabia cuidar de alguém com uma delicadeza inesperada.

— Tem alguma coisa no meu rosto? — Isadora sustentou aquele olhar por alguns segundos, cada vez mais desconcertada. — Por que está me encarando assim?

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