"Eva"
Essa quinta feira tinha começado tão calma, um dia lindo e ensolarado que combinava perfeitamente com o feriado. E foi para aproveitar o feriado que nós decidimos convidar os tios e padrinhos para fazer a escolha do nome do bebê. Eu estava bem disposta e parecia até já ter me acostumado ao peso da barriga, mesmo com o meu bebe se mexendo tanto, dando chutes muito vigorosos e criando ondulações na minha barriga a cada movimento.
Mas quando começamos a preparação para o sorteio eu comecei a sentir aquele incômodo e não passou, mas eu tentei ignorar, afinal estávamos em um clima tão bom e eu tinha me mexido o dia todo, talvez só estivesse cansada. Mas não era bem assim.
Antes de ir para a cama, eu tomei um banho e fiquei alguns minutos sob o chuveiro, deixando que a água morna relaxasse os meus músculos. Estava tão bom que eu me permiti ficar ali abraçada ao meu marido por um tempo considerável e depois daquele banho relaxante eu fui direto para a cama, certa de que dormiria rapidamente.
Mas eu não dormi e algum tempo depois tudo mudou. E a primeira fisgada veio, uma cólica insistente que subiu e envolveu a minha barriga como um abraço apertado. Foi como se tudo ficasse rígido. Eu respirei fundo, contei mentalmente até que relaxasse e pensei que não era nada demais, só os avisos de uma gestação já perto do fim. Mas aquela cólica se repetiu.
Eu olhei para o José Miguel que dormia tranquilo e respirei fundo, tentando manter a calma, seria só mais uma noite incômoda que eu encarava como uma preparação para as noites sem dormir depois que o Bebê chegasse. Mas a minha determinação não durou mais que duas horas. Eu já estava sentada na poltrona do quarto há um tempo quando o ritmo se tornou implacável e já não dava para ignorar ou não acordar o José Miguel.
Eu tentei me levantar, mas a dor que eu senti me puxando para baixo era uma força primitiva que parecia me obrigar a me sentar e focar na minha respiração até que ela passasse como uma onda.
- José Miguel! - Eu chamei.
Minha voz saiu um pouco mais alta que eu gostaria e ele acordou imediatamente, levando um susto ao não me ver ao seu lado da cama. Ele acendo as luzes do quarto e no instante seguinte seus olhos encontraram os meus.
- Ele está chegando? - Ele perguntou, dividido entre a euforia do momento e a preocupação.
- Sim. E eu já não estou suportando a dor. - Eu confessei e só percebi o vulto dele chegando a mim.
- Lembre-se de respirar. - Ele estava com o celular no ouvido. - Cachorrão, está na hora.
Ele não precisou dizer mais, o Matheus já sabia a função que tinha, ser o motorista para a maternidade, porque o José Miguel tinha certeza que ficaria nervoso demais para dirigir. Nos minutos seguintes, com rapidez, mas com máximo cuidado, nós já estávamos entrando no carro. E daí por diante eu só sentia a dor e não pensava em mais nada, só em respirar.
O tempo e os acontecimentos evaporaram para mim. Eu mal ouvia as vozes ao meu redor. Eu só pensava em manter a respiração e trazer o meu filho ao mundo com segurança. Eu me concentrei na voz do Dr. Molina e quando ele me disse "só mais uma vez", eu reuni cada gota de energia que ainda tinha e empurrei com força. Foi como se eu me expandisse ao máximo e de repente sentisse uma leveza indescritível.
Então aquele choro agudo e forte, o som de uma nova vida, explodiu na sala e num segundo reorganizou toda a minha existência. O calor tomou conta do meu peito e foi como se naquele momento uma nova eu tivesse nascido também, o meu novo mundo tinha acabado de nascer. Mas o silêncio do José Miguel ao meu lado, sua imobilidade, me fez olhar para ele ao invés de olhar para o lugar de onde vinha o choro.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Amor irresistível: O segredo do chefe
Porque não liberaram mais capítulos depois do 251?...