Wilson queria muito expulsar Daniela, mas acabou abrindo espaço para deixar os dois entrarem.
Com o ouvido aguçado, Cíntia ouviu a conversa de Wilson e Daniela e percebeu que era Daniela quem estava ali. A sua expressão piorou no mesmo instante.
Ela estava fraca, e tinha sido agredida por Júlia Almeida. Mesmo não estando com o rosto e nariz roxos, estava péssima. Deixar que Daniela a visse assim seria motivo de piada.
Deixar a pessoa que ela mais odiava vê-la naquele estado deplorável era pior que a própria morte.
Cíntia quis fingir que dormia, mas Daniela já tinha entrado no quarto.
Daniela foi direto até a cama dela e a encarou de cima a baixo. Não tinha nem como fingir que dormia. Cíntia abriu os olhos abruptamente, cruzando o olhar divertido de Daniela, e fez uma expressão fria.
— O que você quer aqui?
Daniela puxou uma cadeira e se sentou: — Ouvi dizer que você apanhou até vir parar no hospital e que perdeu o bebê. Vim fazer uma visita. Afinal, já fomos cunhadas, e éramos uma família.
— Claro que você nunca me considerou da família.
Sempre tratou ela e sua mãe como inimigas invasoras.
— Lágrimas de crocodilo. Não preciso das suas visitas. É óbvio que você veio só rir de mim.
Daniela sorriu: — Sim, vim mesmo rir de você. É raro ter uma oportunidade dessas. Se eu perdesse, não ia nem conseguir dormir em casa.
Cíntia a fuzilou com os olhos.
— Você está com a cara péssima, pálida que nem papel.
Daniela estalou a língua de propósito: — Parece que perdeu muito sangue. Com dois abortos, o seu corpo precisa de muitos cuidados. Vai que depois você quer ter filho e o seu corpo está danificado. Vai ficar difícil de engravidar.
— Não é legal ser chamada de galinha incapaz de botar ovos. Como você costumava chamar a minha mãe.

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