Na verdade, os amigos de Francisco Pinto não eram más pessoas. Na vida passada, Daniela quase não teve contato com eles, pois Francisco raramente a levava para as reuniões com o seu círculo de amizades.
Nas poucas vezes em que conviveram, ela pôde sentir a bondade dos amigos dele.
Francisco dizia que Victor Amaral não era flor que se cheire, argumentando que, sendo eles criados desde a infância para assumirem a liderança de suas famílias, como poderiam não ter as suas próprias artimanhas? Como poderiam ser simplesmente pessoas totalmente boazinhas?
Ela nunca havia dito que Victor era um santo, e também sabia que no mundo dos negócios, era impossível sobreviver sem um pouco de astúcia.
Até ela mesma, agora que estava nos negócios, às vezes não era tão boazinha assim.
Desde que não houvesse conflito de interesses entre ela e Victor, estava tudo bem.
— Senhor Amaral.
Daniela Vieira estacionou o carro.
Victor disse:— Pode entrar com o carro.
— Não precisa, deixar aqui fora já está bom.
Como ela não pretendia ficar muito tempo, deixar o carro na porta da mansão facilitaria a sua saída.
Victor não insistiu para que ela entrasse com o veículo.
Ele já estava mais do que satisfeito por ter conseguido fazê-la vir até ali com uma pequena mentira.
Como não haveria uma pomada na casa dele? A caixa de primeiros socorros da família estava sempre abastecida com todo tipo de medicamento para uso diário.
Ele havia mentido porque queria que Daniela se importasse com ele, que sentisse pena e viesse vê-lo.
Ele tinha dado folga a todos os empregados da casa.
É, Francisco não estava errado. Daniela não conhecia Victor de verdade. Não sabia que aquele homem gentil e elegante, que sempre sorria antes de falar, na verdade, também tinha o seu lado sombrio e calculista.
Daniela estacionou, pegou a pomada que havia comprado, além de duas porções de caldo para viagem, e desceu do carro.
Victor estendeu a mão para pegar as coisas, mas ela rapidamente disse:
— Senhor Amaral, você está machucado, não precisa carregar. Eu levo para dentro para você.
Ainda assim, Victor pegou as duas embalagens de caldo das mãos dela.
— Meu machucado é só no rosto, as minhas mãos estão perfeitamente bem.
— Você comprou duas porções de caldo para mim?
— Medo de quê? Eu sei lutar um pouco e, além disso, o nível de segurança aqui é excelente. Este condomínio de luxo foi construído com investimentos da Família Amaral.
— Já que eu mesmo moro aqui, a segurança tinha que ser a melhor possível.
Na verdade, havia guarda-costas na casa.
Mas para poder ficar a sós com Daniela, ele mandou todos saírem para dar uma volta.
Eles só teriam permissão para voltar depois que ela fosse embora.
— É verdade.
Daniela pensou consigo mesma que aquelas grandes famílias haviam investido no setor imobiliário nos anos de ouro, lucrando absurdamente, e que todos ali tinham ótimas propriedades no nome deles.
O mundo dos ricos era assim, extravagante.
Tinham mansões por toda parte e, aonde quer que fossem, podiam se hospedar nas próprias casas.
Ela precisava trabalhar duro para ganhar dinheiro. Quando se tornasse uma mulher de negócios poderosa como Elisa Neves e tivesse uma fortuna considerável, também poderia ter mansões espalhadas por aí, assim como eles.
Os dois entraram na casa.

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