Victor pediu que Daniela se sentasse no sofá e foi buscar um copo de água morna para ela.
Quando ele fez menção de ir lavar umas frutas, Daniela o deteve.
— Senhor Amaral, não precisa lavar frutas. Eu só vim trazer a pomada e já vou voltar.
Victor deu um leve sorriso.
— Tudo bem, já que não vai demorar, não vou preparar as frutas.
Ele sentou-se de frente para Daniela.
— Senhor Amaral, você prefere passar a pomada primeiro? Pode aplicar o remédio e depois tomar o caldo.
Victor pegou a sacola, abriu, tirou o frasco de pomada, leu as instruções e disse:
— Acho melhor tomar o caldo primeiro. Se eu passar a pomada agora, o cheiro forte do remédio pode tirar o apetite.
— Pode ser.
Victor deixou a pomada de lado.
Daniela já havia aberto uma das sacolas e tirado a tampa do pote descartável, empurrando a porção na direção dele.
— Senhor Amaral, eu não sabia qual o seu preferido, então trouxe um caldo de carne.
O dela era um caldo de legumes.
Victor respondeu:
— Eu não sou exigente com comida. Faz muito tempo que não tomo um caldo, e este tem uma cara ótima. O sabor deve ser muito bom.
— É muito bom sim. Eu costumava tomar café da manhã lá e sempre achei delicioso.
— Daniela, me sinto até envergonhado por fazer você me trazer comida. É a primeira vez que você vem à minha casa e eu nem sequer posso te receber como se deve.
Daniela já havia começado a comer.
Enquanto tomava o caldo, ela disse:
— O fato de você não me culpar já é ótimo. Se não fosse por minha causa, Francisco não teria te batido. Vocês são bons amigos e eu acabei prejudicando a amizade de vocês.
Ele também gostava de Daniela e torcia desesperadamente para que ela e Francisco assinassem logo o divórcio, para que ele pudesse cortejá-la abertamente.
Francisco era seu rival, por que raios ele iria falar bem do próprio rival?
— Os sentimentos dele pela Cíntia são muito profundos, é difícil ele esquecer.
Victor continuou:— É melhor mesmo vocês se divorciarem, para você não ficar presa a vida toda nesse casamento sem amor.
— O divórcio vai me salvar a vida.
Daniela soltou o comentário sem pensar. Quando viu Victor a encarando com confusão, apressou-se em explicar:
— Quero dizer que ele tem muitas admiradoras, e elas aproveitam qualquer oportunidade para me atacar.
— Embora eu não tenha medo delas, elas são muitas. É fácil desviar de um ataque direto, mas uma facada nas costas é difícil de prever. Por mais cuidado que eu tenha, um dia posso acabar tropeçando. Ser alvo das armadilhas delas simplesmente não vale a pena.
Victor sorriu.
— É verdade que há muitas pessoas apaixonadas pelo Francisco, mas ele nunca deu oportunidade a nenhuma delas. Você não o conheceu ontem, já o conhece há vinte anos. Alguma vez ouviu falar de algum escândalo envolvendo ele?

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