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Amor Tardio: O Mais Barato dos Pecados romance Capítulo 79

Assim que Celeste saiu, Antônio percebeu logo: "Por que ela foi embora?"

Amadeu virou-se de lado e olhou naquela direção, notando que o prato ali continuava intocado.

"Poxa, ela realmente não sabe valorizar as coisas." Antônio balançou a cabeça, achando tudo aquilo um tédio imenso. "A gente já tentou ser gentil, mas ela faz questão de dificultar."

Vitória, por sua vez, não disse nada.

Como ela não entenderia o que se passava na cabeça de Celeste?

Era puro orgulho ferido; Celeste sentia que Amadeu estava favorecendo os outros, o que a deixava desconfortável, sem espaço para continuar.

Ela olhou para Amadeu.

Ele já havia desviado o olhar, claramente não se importando.

Vitória sorriu de leve: "Quando terminarmos de comer, você pode me acompanhar para dar uma volta?"

Amadeu não se opôs: "Claro."

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Era a primeira vez que Celeste visitava Cidade Nova, mas, na verdade, sua mãe havia estudado na universidade dali. Ela decidiu ir conhecer a antiga faculdade da mãe.

A entrada na escola era por agendamento, e Celeste passou um tempo caminhando pelo campus.

A Universidade Central era uma das mais renomadas escolas de Belas Artes do país. Sua mãe havia cursado pintura a óleo lá e, na época, tinha sido a melhor nas provas de artes. Uma de suas obras ainda permanecia exposta na galeria da universidade.

Celeste encontrou a pintura da mãe e ficou olhando por muito tempo.

A mãe contava que, na verdade, eram duas telas complementares: a Universidade Central exibia uma, a outra estava perdida e nunca fora encontrada.

A avó dizia que, nos últimos dias de vida, a mãe ainda se preocupava em encontrar aquela pintura.

Celeste pensou que, se um dia conseguisse encontrar o quadro, talvez sua mãe finalmente pudesse descansar em paz.

Ela ficou parada em frente à obra, fitando a assinatura "Diana Barreto" na parte inferior, sentindo-se vazia por dentro, enquanto toda a saudade reprimida vinha à tona.

Junto com a saudade, vieram também mágoas acumuladas ao longo do tempo, fazendo seu nariz arder.

Mas agora, ela já não tinha mais sua mãe.

Tantos sentimentos que não tinha mais para quem contar.

Celeste enxugou discretamente os olhos com a ponta dos dedos e, só então, se virou devagar para sair.

O inverno em Cidade Nova era úmido e chuvoso; o céu estava pesado, anunciando mais chuva, então ela apressou o passo em direção à saída.

Enquanto caminhava, chamou um carro pelo aplicativo.

Assim que chegou ao portão, a chuva começou a cair fininha.

Celeste foi surpreendida por algumas gotas, levantou a bolsa sobre a cabeça e correu para se abrigar.

Ao ouvir aquela voz fria, Celeste despertou de imediato.

Olhou para a tela do telefone.

…Tinha ligado para a pessoa errada.

"Desculpa." Ela se apressou em dizer e já ia desligar.

"Qual o quarto?" Amadeu perguntou, com a voz calma.

Celeste hesitou: "1603."

"Entendi."

O tom de Amadeu não deixava transparecer qualquer emoção. Ele foi o primeiro a desligar.

Celeste ficou um tempo sem reação.

Será que ele realmente iria trazer o remédio?

Logo pensou melhor: Amadeu, apesar de ser indiferente com ela, sempre que ela era clara em um pedido — e desde que não fosse algo absurdo —, ele costumava atender por puro senso de educação, sem envolver sentimentos.

Sala de jogos da suíte presidencial.

Quando Amadeu atendeu o telefone, Vitória, Antônio e os outros ainda estavam ali.

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