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Amor Tardio: O Mais Barato dos Pecados romance Capítulo 80

O tom de voz de Celeste ao telefone também foi ouvido por eles.

Vitória franziu levemente a testa, mas não disse nada.

Antônio soltou uma risadinha. "Não é? Ela sabe mesmo como chamar atenção, começou a se fazer de frágil do nada?"

"Talvez esteja realmente doente." Vitória largou as cartas, falando com indiferença.

"Mesmo assim, ela devia ter um pouco mais de noção, afinal, você ainda está aqui." Antônio deu de ombros, nada surpreso. Já esperava que Celeste não conseguisse se comportar.

Amadeu olhou para o relógio de pulso, já passava das oito da noite.

"Vou lá ver como ela está."

Antônio entendeu na hora: "Faz sentido. Se você não for, ela vai acabar reclamando pra Dona Teresa, aí complica."

Vitória apertou os lábios, sem comentar.

O olhar frio e reservado de Amadeu não demonstrava emoção alguma. Ele disse, impassível: "Continuem jogando, volto logo."

Só então Vitória relaxou um pouco. "Ok."

Antônio sorriu: "Beleza, entendi, pode deixar, não vou deixar ela te segurar aqui."

Quando Amadeu chegou, Celeste abriu a porta. Viu o homem com uma mão no bolso, parado à porta, olhando de cima para baixo, avaliando-a antes de entrar no quarto. "O que está sentindo?"

Celeste teve que abrir espaço para ele passar.

Quando ele passou por ela, ainda sentiu um leve perfume feminino.

Devia ter estado todo o tempo com Vitória.

Celeste disfarçadamente levou a mão ao nariz e respondeu, calma: "Garganta."

Amadeu a olhou de relance, percebendo que ela realmente parecia abatida.

Não estava fingindo.

Ele semicerrrou os olhos e foi preparar uma chaleira de água para ela, mantendo um tom neutro: "Trouxe três tipos de remédio: para bronquite, para febre e pastilha para garganta."

Celeste franziu a testa, surpresa por Amadeu se importar com ela.

"…Obrigada."

Amadeu virou-se para ela, os olhos profundos e gélidos. Após um instante, perguntou: "Vai dormir de novo daqui a pouco?"

Celeste voltou a deitar, a cabeça confusa e o corpo pesado, só queria ficar ali: "Uhum."

A chaleira ainda esquentava a água.

Ela planejava tomar o remédio depois que a água fervesse.

Abriu a tampa para dar uma olhada.

Era uma canja de legumes.

Verdinhas, as folhas de espinafre salpicavam o arroz branco e translúcido, com um pouco de cebolinha por cima, tudo muito bonito.

Porém…

Ela era alérgica a cebolinha.

Sempre que cozinhava para Amadeu, punha um pouco de acordo com o gosto dele, mas raramente comia os pratos com cebolinha. Quando não tinha escolha, precisava tirar uma a uma.

Ela já tinha jantado com ele tantas vezes. Se Amadeu se importasse, provavelmente teria notado, mas ele nunca prestou atenção.

Ou talvez até tivesse notado — afinal, era muito esperto e tinha ótima memória, lembrava até das preferências de Vitória —, mas talvez achasse que ela não era tão importante.

Como agora.

Esse prato, mais uma vez, ela só poderia comer depois de tirar tudo com cuidado.

Mas ela não queria mais se esforçar para agradar ou se adaptar.

Celeste, tranquila, fechou a tampa.

E pediu outro jantar.

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