Landon se levantou e deu um passo à frente de S, tamborilando levemente os dedos sobre o apoio de braço da cadeira de interrogatório.
Pequenos pinos prateados estavam embutidos no metal, posicionados com precisão sobre o ponto de pressão espinhal mais sensível em lobisomens. O corpo de S enrijeceu de imediato, e um lampejo de pavor atravessou seus olhos.
“Quando Yalvaria o enviou para cá, esqueceram de mencionar o que acontece com quem irrita o Rei Alfa de Montedra?” A voz de Landon não era alta, mas carregava um peso esmagador. “Dê-me a fórmula do antídoto. Diga os outros pontos de liberação. Fale, e garanto que sua morte será rápida.”
S cerrou os dentes, mantendo o silêncio, embora a inquietação fervesse em seu estômago. Diziam que Landon era impiedoso — e agora ele sentia isso até os ossos. Aquele homem era ainda mais assustador do que os rumores diziam.
Landon não desperdiçou palavras. Fez um leve aceno em direção à porta. Nathaniel entrou carregando uma bandeja com instrumentos personalizados: seringas cheias de prata líquida, estimuladores neurais calibrados para a sensibilidade lupina — cada peça projetada para explorar as fraquezas biológicas da espécie.
“Ethan, vai ficar aí parado enquanto ele me tortura? Isso é ilegal! É abuso!” S gritou em direção ao vidro espelhado. “Você trabalha para o Conselho! Não vai fazer nada?”
Os punhos de Ethan se fecharam. Sua voz saiu firme, mas carregada de tensão. “Se isso nos der o antídoto e salvar o nosso povo, então sim — eu assumo as consequências.”
Landon olhou de relance para Ethan e então se virou para S, exibindo um sorriso frio que não mostrava nenhuma emoção.
“Você teve a sua chance. Vamos começar com a prata.”
A agulha perfurou a pele. S gritou.
A rejeição da prata por um corpo de lobisomem não era apenas fisiológica — era uma dor que ultrapassava qualquer limite humano. Uma tortura multiplicada por dez.
“Fale”, ordenou Landon, a voz ecoando pela câmara.
S tremia, o suor escorrendo por todo o corpo, mas manteve o maxilar travado.
“Eu… eu não sei de nada…”
A hora seguinte foi preenchida por gritos lancinantes.
Os métodos de Landon eram brutais, mas precisos. Ele levava S até o limite do colapso — e então parava, apenas para recomeçar com uma nova ferramenta, uma nova abordagem, mantendo sempre a pressão um passo antes do colapso total.
Ethan observava por trás do vidro, um arrepio percorrendo sua espinha. Aquilo não era um simples interrogatório — era o desmantelamento cirúrgico da vontade de um homem.
Em menos de duas horas, S finalmente cedeu.
Com lágrimas e muco escorrendo, ele desabou por completo.
Do lado de fora, o vento noturno carregava o aroma distante de fumaça e prata.
Uma nova jornada estava prestes a começar.
…
No hospital, Tessa e Samuel enfrentavam outro fracasso.
Samuel desabou no sofá. Um médico-lobisomem de nível S+, agora com o semblante exaurido. Ele havia colocado tudo em jogo — sua habilidade, sua força, sua fé. E nada surtira efeito.
“E agora?”, perguntou, erguendo o olhar cansado para Tessa. A frustração vibrava em sua voz.
Tessa respirou fundo, pressionando as têmporas doloridas.
Ela nunca se sentira tão derrotada.
“As infecções continuam se espalhando. Algumas já estão sofrendo mutações genéticas… Se demorarmos mais, não serão apenas os lobisomens infectados — toda a linhagem genética dos lobos de Montedra pode ser corrompida.”

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