Mas a resposta já estava formada em seu coração.
João Cavalcanti segurou a mão dela, com a voz baixa e rouca: — Status e identidade são apenas padrões teóricos, não o padrão de todo mundo. Não posso me meter muito nos assuntos da família Alves, mas seu terceiro tio tem determinação. Por mais que o Sr. Bruno Alves decida as coisas, teremos que esperar para ver se ele vai ceder pelo filho ou se continuará teimoso.
Clara olhou para ele, apertando os olhos. — Você sempre entende tanto sobre a família Alves, mas agora não quer se meter?
Ele riu abafado. — Eu não sei tudo sobre tudo. — Ele fez uma pausa e completou: — Só sobre você.
Ela puxou a mão e cruzou os braços. — Lábia afiada. Não é à toa que conseguiu fazer meu pai parecer outra pessoa.
João Cavalcanti inclinou-se um pouco para a frente, aproximando-se dela, sem conseguir segurar o riso. — Então vou continuar me esforçando.
...
Vila Imperial.
A sala de estar, imensa e espaçosa, estava extraordinariamente silenciosa. Restavam apenas os brilhos fragmentados do lustre de cristal, que projetavam sombras irregulares no piso de mármore liso como um espelho.
Natália Lacerda sentou-se no sofá. Ela, que sempre brilhava nas telas, não podia negar que estava nervosa diante do Sr. Bruno Alves agora. No entanto, apesar do nervosismo, manteve uma postura digna durante todo o tempo: — Fico feliz que o senhor tenha vindo pessoalmente. Pelo menos o senhor pôde ver o Guilherme.
O Sr. Bruno Alves girava as duas nozes ornamentais em sua mão. Seu olhar se voltou para o jovem que resolvia exercícios na sala. As costas do garoto estavam retas, focado, sem nunca se distrair.
Em uma estante de exibição na sala, havia várias honrarias e troféus conquistados na escola.
Ele recolheu o olhar sem pressa e olhou para o chá intocado na mesa. — Você sabe como educar uma criança.
Guilherme Lacerda ouviu a voz e saiu animado do quarto. — Pai!
Ele não notou o clima na sala e, desde o início, não sabia que o homem que viera procurar sua mãe era seu avô biológico. Achava apenas que era um amigo da mãe ou um diretor que a convidara para atuar.
Quando Winderson Alves viu Guilherme Lacerda vindo em sua direção, colocou-se instintivamente na frente dele. Olhou para o Sr. Bruno Alves, reprimindo-se. — Se o senhor tem algum ressentimento, pode descontar em mim. Não dificulte as coisas para eles.
O Sr. Bruno Alves levantou-se lentamente e olhou para Winderson Alves, antes de passar os olhos por Guilherme Lacerda, que, protegido atrás do pai, o encarava com curiosidade. As feições do garoto lembravam a juventude do pai, claras e resilientes.
Ele ficou em silêncio por um momento. Não era possível discernir a emoção em sua voz. — O quê? Você acha que eu faria algo contra eles?
— E não faria? — Winderson Alves encarou-o. — Os seus métodos sempre foram esses.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Apenas Clara
Affffff, cobram em dólar pra não continuidade?...
Não tem o restante?...