— Divorciar?!
A voz de Lucinda ressoou tão estridente que parecia capaz de arrancar o teto.
Passado o susto, ela fuzilou Gabriela com os olhos, ostentando um olhar de decepção extrema por tamanha estupidez.
— Você faz ideia de quantas pessoas na Capital fariam qualquer coisa para se casarem com a família Barros? O fato de você ter se casado na família Barros é pura sorte acumulada por oitocentos anos! Você abre mão de ser a perfeita Sra. Barros e inventa de se divorciar? Você pirou de vez?
A expressão de Gabriela continuava intocada e vazia.
— Toda essa sorte, dou de presente para você.
Lucinda engasgou de fúria e, num ímpeto, virou-se para gritar na direção das escadas:
— Jorge Junqueira! Jorge!
Jorge prontamente saiu de seu escritório e desceu.
— O que foi, querida?
Lucinda apontou um dedo para Gabriela, com um escárnio desenhado no rosto.
— Essa tua filha perfeita, eu mal mencionei na frente dela a ideia do Bernardo guardar uma mansão para o casamento do Juliano, e ela, num acesso de loucura, veio dizer que vai se divorciar do Bernardo! Eu desisto de ensiná-la! A filha é tua, resolve tu, faça ela parar de caçar problema! Se ela acabar perdendo o lugar de Sra. Barros de verdade, depois não vai ter como chorar.
Ao escutar essas palavras, Jorge demonstrou choque.
— Você vai se divorciar do Bernardo?
O fato de que Gabriela sempre fôra apaixonada por Bernardo, ele sabia muito bem.
Além do mais, naquela época, Gabriela suportara imensas críticas e fofocas externas só pelo desejo de se casar na família Barros.
E quando finalmente as coisas haviam se tranquilizado, quando a relação de Gabriela com Bernardo já parecia ser gradualmente estável, e quando vez ou outra ele até se juntava a eles para uma refeição junto do sogro...
Se estava tudo correndo tão bem, por que um divórcio repentino?
Gabriela baixou as sobrancelhas, ocultando o piscar da dor refletida em seus olhos.
— Sim.
Jorge a puxou pelo braço, levando-a a se sentar no sofá.
— Mas por quê? Não estava tudo bem até agora? O Bernardo te fez alguma injustiça?
A voz de Gabriela diminuiu de tom gradativamente, mergulhada num mar de total falta de esperança e incapacidade. Ela tremia fracamente diante do surto de emoções afloradas.
Ela poderia aturar a indiferença de Bernardo e suportar a falta de consideração dele com ela.
Mas o que ela não suportava era Bernardo tratá-la como tola, mentindo para ela na cara dura outra e outra vez, e tudo para acobertar uma outra mulher...
Ao longo dos três anos de casamento, por repetidas vezes ela despejara todo o seu afeto aos pés de Bernardo.
Contudo, apenas na noite anterior, ela flagrara de camarote como Bernardo lidava com o afeto que ela entregara: como algo descartável, triturando as suas emoções e fazendo delas nada mais do que sujeira e bagunça.
— Você... Você...
Apenas depois de murmurar um sem fim de “você” e de muito gaguejar é que Lucinda conseguiu, com enorme dificuldade, proferir as próximas frases.
— Eu e seu pai somos os mais velhos daqui! Já que era pra falar, não poderia ser em bom tom? E toda essa gritaria?!
Gabriela encolheu os lábios, e ficou calada.
Ao ver Gabriela quieta, Lucinda expeliu uma bufa desdenhosa:
— Por que eu disse aquilo de o Bernardo guardar uma casa para ser de recém-casado do Juliano? E se não quisesse, por que já não soltou em alto e bom tom? Foi pura coincidência dar todo esse chilique contra a minha pessoa na frente do seu pai? Hah! Quanta autoridade, bem ao nível de uma digna Sra. Barros!

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