Papai?!
Gabriela apertou o celular bruscamente, deixando escapar um som de descontrole.
— Bernardo!
Ao mesmo tempo, ouviu-se o som de um bipe em seu ouvido; a chamada já havia sido encerrada.
Gabriela ligou de volta, encarando a tela fixamente, quase em estado de choque.
Uma angústia amarga subiu em seu peito, prestes a afogá-la.
Atende.
Por que ele não atende?
Ele não disse que estava fazendo hora extra?
Por acaso também tinha alguém chamando-o de pai no escritório?
Quando Gabriela ligou pela terceira vez, a fria mensagem automática veio diretamente do outro lado da linha: "Olá, o número para o qual você ligou está desligado."
Desligado?
Desligar o telefone diretamente, sem dar sequer uma desculpa esfarrapada, seria por medo de que ela atrapalhasse o momento daquela família de três?
É claro, para Bernardo, ela sempre foi uma existência dispensável.
Como ela poderia se comparar com Letícia? Poderia ser mais importante que ela e a filha que teve com Letícia?
A mente de Gabriela estava lúcida, mas seu coração parecia estar sendo esmagado repetidas vezes, doendo a ponto de deixá-la sem fôlego.
Ela agarrou firmemente a roupa na altura do peito, pressionando o punho contra o corpo na tentativa de repelir aquela dor dilacerante.
Porém, o coração doía cada vez mais, chegando a um nível quase insuportável.
— Ah!
Ela gritou em um colapso e todos os pratos na mesa de jantar foram varridos para o chão.
Craaash...
O chão se tornou instantaneamente uma verdadeira bagunça.
Em seguida, o som de um choro contido ecoou pela sala.
Gabriela não sabia por quanto tempo chorou sentada rigidamente naquela cadeira.
Foi apenas quando seus olhos doíam e ardiam de tanto chorar, quase incapazes de se abrir, que ela reagiu.
Na noite passada, Gabriela de alguma forma adormeceu anestesiada e, quando acordou, foi despertada pelo toque do celular.
Com os olhos semicerrados, massageou as têmporas doloridas e atendeu sem ao menos olhar.
— Alô?
Uma voz feminina alegre soou do outro lado da linha.
— Gabi! Voltei da minha viagem a trabalho, estou planejando dar uma volta no shopping hoje, quer vir comigo?
Ao ouvir a voz da sua melhor amiga, Priscila Queirós, os olhos de Gabriela se abriram por completo. A ideia de poder encontrar a amiga em breve dissipou boa parte da tristeza que pesava em seu semblante.
— Pode ser, às dez horas a gente se encontra na entrada do shopping.
Depois de desligar, Gabriela foi se lavar. Olhando seu rosto abatido diante do espelho, ela puxou os cantos dos lábios, esboçando um sorriso que era mais feio que um choro.
Nos últimos dois dias, a sua vida, que sempre foi pacata como águas tranquilas, quase poderia ser descrita como "espetacular".
Para que Priscila não se assustasse com seu rosto pálido de fantasma, Gabriela fez questão de aplicar uma maquiagem leve para dar um pouco de cor à pele antes de sair para se encontrar com a amiga.
No shopping.
Assim que Gabriela apareceu, foi recebida com um abraço caloroso da pessoa que vinha ao seu encontro.

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