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Após a volta da ex-namorada, a herdeira parou de fingir romance Capítulo 362

Gabriel ficou em silêncio do lado de fora do quarto, ouvindo a discussão por alguns momentos. No final, ele decidiu não entrar.

O céu estava pesado e nublado, com uma chuva fina e contínua que parecia refletir a atmosfera melancólica que o envolvia.

Ao alcançar a entrada do hospital, Gabriel ergueu o olhar para o céu opressor e deixou que seus pensamentos vagassem. Talvez ele e Helena realmente não tivessem mais futuro algum.

Seu pai, Vinícius, com apenas cinquenta e dois anos, estava prestes a deixar este mundo.

Gabriel se lembrou de quando tinha cinco anos, a idade em que os escândalos sobre o filho ilegítimo de Vinícius vieram à tona. Naquela época, sua mãe e Vinícius brigaram feio, quase chegando ao divórcio. Mas as pressões dos mais velhos das duas famílias evitaram que o casamento fosse dissolvido.

Com cinco anos, Gabriel já era capaz de entender o que acontecia ao seu redor. As memórias dolorosas daquele período haviam se enraizado profundamente em sua mente.

Ele se lembrava claramente de cada humilhação que sua mãe sofreu, de cada vez que a encontrou chorando sozinha no quarto, das discussões intermináveis entre seus pais e do olhar de desprezo que Vinícius frequentemente lançava.

Gabriel sabia que Vinícius não amava sua mãe. Ele também sabia que Vinícius não o amava.

Desde pequeno, Gabriel não experimentou o que era o amor paternal. A relação entre ele e Vinícius sempre foi distante, quase inexistente. Ele acreditava que, quando Vinícius morresse, ele não sentiria nada. Mas, agora que o momento se aproximava, Gabriel percebeu que estava errado. Ele não conseguia ser indiferente.

A alguns metros de distância, um homem de meia-idade carregava um garotinho nos braços enquanto segurava um guarda-chuva com a outra mão. Apressado, o homem caminhava em direção à entrada do hospital.

Logo, o homem chegou perto de Gabriel.

Ao alcançar a porta do hospital, ele fechou o guarda-chuva e, com uma voz suave, tentou acalmar o menino que chorava baixinho.

— Não chore, meu anjinho. Vamos ver o médico, e logo vai parar de doer.

O coração de Gabriel apertou. Seu olhar ficou preso naquela cena, incapaz de desviar.

O garotinho parecia ter apenas um ou dois anos, pequeno e frágil. O homem usava um uniforme azul-escuro de uma fábrica, com o nome da empresa bordado no peito.

Gabriel notou as mãos do homem: ásperas, queimadas pelo sol e marcadas por calos. Mas, mesmo assim, aquelas mãos rudes seguravam o menino com uma delicadeza impressionante, transbordando amor paternal.

O rosto do homem, desgastado pelo tempo e trabalho difícil, estava cheio de preocupação. Era uma expressão que Gabriel raramente viu no rosto de Vinícius.

Não, ele já tinha visto algo parecido.

Foi no dia em que Vinícius voltou ao país trazendo Zuriel e implorou aos avós de Gabriel que aceitassem o garoto na família.

Os avós de Gabriel rejeitaram a ideia e nem permitiram que Vinícius e Zuriel entrassem em casa. Vinícius, então, ajoelhou-se na porta da mansão com Zuriel nos braços e recusou-se a sair.

O tempo, naquela ocasião, era tão opressivo quanto o de hoje. O céu estava nublado, e logo começou a chover.

Vinícius tirou o casaco e o colocou sobre a cabeça de Zuriel para protegê-lo da chuva. Mesmo assim, o menino acabou molhado, pegou um resfriado e teve febre.

A expressão de desespero no rosto de Vinícius naquele dia era idêntica à do homem que Gabriel acabara de observar.

Gabriel ficou parado, olhando em silêncio, enquanto uma dor surda se espalhava pelo peito.

O homem e o menino entraram no hospital apressados, e Gabriel desviou o olhar, focando na chuva que caía à sua frente.

Algumas jovens perto da entrada cochichavam e lançavam olhares tímidos em sua direção. O rubor em seus rostos deixava claro que falavam sobre ele.

Mas Gabriel permaneceu indiferente. Ele deu um passo à frente e entrou na chuva sem se importar.

Capítulo 362 1

Capítulo 362 2

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