"Quem poderia ser para fazê-lo mostrar essa expressão?"
Selene estava curiosa. Seu instinto lhe dizia que essa pessoa devia ser muito especial. Ela observou o olhar de Henrico, tentando encontrar nele algum traço de ambiguidade.
Mas, além de admiração, não havia mais nada.
Isso a deixou ainda mais intrigada.
Infelizmente, Henrico não respondeu, nem sequer continuou o assunto.
Ele lançou um olhar para o espelho no final do corredor, onde o casal continuava seu momento de paixão ardente. Justo quando pareciam prestes a seguir até o fim ali mesmo, finalmente se separaram.
No corredor.
Cássia estava apoiada contra o peito de Aderbal.
Se fosse antes, ela teria aproveitado bem essa oportunidade. Mas, depois de ver Henrico, Aderbal já não lhe parecia tão interessante.
— Cássia, esta noite nós... — Aderbal ainda estava imerso no desejo do momento. Seu tom era claro: ele não queria que aquilo terminasse ali.
Cássia sabia muito bem o que ele queria dizer.
Mas, ao pensar em Selene, ela não quis perder nem um segundo a mais.
— Aderbal, e minha irmã?
— Como vou saber dela? Eu não gosto dela, Cássia... — Aderbal queria desesperadamente entregar seu coração a Cássia, apenas para conquistá-la.
No entanto, Cássia tinha outros pensamentos em mente.
Quando ele tentou se inclinar novamente para ela, a mão de Cássia pressionou seu peito, o impedindo.
— Aderbal, eu sei que você não gosta da minha irmã, mas viemos juntas esta noite. E se algo acontecer com ela...? Vamos procurá-la... — Cássia insistiu, manhosa, o empurrando suavemente.
Aderbal, encantado pela aparente bondade de Cássia, se apaixonou ainda mais.
Quanto mais achava Cássia doce e adorável, mais desprezava Selene por sua suposta grosseria. Mas, já que Cássia queria procurar Selene, ele só podia ajudá-la.
Assim que Aderbal saiu, Cássia permaneceu parada, pensativa por um instante.
De repente, algo lhe veio à mente. Se virou rapidamente e seguiu até o final do corredor, olhando para um ponto fora do jardim.
— Onde eles estão?
O lugar onde Selene e Henrico estavam antes agora estava vazio.
Quase instintivamente, Cássia procurou ao redor com o olhar, mas parecia que os dois haviam desaparecido completamente do jardim.
"Para onde Selene foi?"
Ao se lembrar das intenções de Aderbal, um palpite se formou em sua mente.
"Selene... Será que ela foi com Henrico...?"
Cássia cerrou os punhos com força, incapaz de aceitar essa possibilidade. Seus olhos varreram o ambiente até que, finalmente, encontrou Henrico em um canto do salão.
Ele segurava uma taça de vinho, seu corpo alto levemente apoiado contra a parede, olhando fixamente para algum lugar. Seu olhar carregava um desejo de posse tão intenso que era assustador.
Cássia seguiu seu olhar e, como esperado, encontrou Selene entre a multidão.
"Henrico está mesmo tão interessado em Selene assim?"
Cássia mordeu os lábios. Sem hesitar, caminhou diretamente em direção a Selene, sem perceber que alguém a observava.
A presa havia caído na armadilha!
— Irmã, o que está fazendo aqui? — Cássia se aproximou de Selene com uma expressão sincera, algo que Selene não estava acostumada a ver.
Se lembrando do plano de Henrico, Selene arqueou uma sobrancelha.
— E por que eu não estaria aqui?
Ela nunca teve muita paciência para Cássia.
"Essa mulher é uma coisa por fora e outra por dentro. Personalidade dividida? Isso não cansa?"
Cássia fez uma expressão de leve tristeza.
— Irmã, não fique brava comigo. É que vi Aderbal te procurando... Talvez seja algo importante...
Aderbal... Ela queria usá-lo para prejudicá-la?
— Ele está me procurando? — Selene fingiu hesitação.
Para dissipar qualquer dúvida, Cássia se apressou em responder:
— Sim! Eu vi ele subindo as escadas há pouco.
Subindo?
Selene seguiu o olhar de Cássia para o segundo andar.
"O que havia lá em cima?"


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