— Vocês... Têm um segredo!
O olhar de Valentina vagava entre os dois e, como esperado, percebeu que suas expressões não eram naturais.
Como se tivessem se lembrado de algo, trocaram um olhar por um instante, mas logo desviaram, como se tivessem sido queimados.
Parecia... Culpa de quem esconde algo?!
Assim que Valentina falou, duas vozes soaram ao mesmo tempo:
— Não...
— Não...
— Não temos segredo nenhum!
A última frase foi dita com a mesma entonação, firme e incrivelmente sincronizada.
Essa sintonia... Que coisa!
Valentina arqueou a sobrancelha.
— Mesmo? Eu não acredito!
Embora não conhecesse Henrico há tanto tempo, já havia aprendido um pouco sobre ele e nunca o vira tão desconfortável como agora.
E aquela mulher de preto...
Valentina a observou. À tarde, já havia simpatizado com ela. Diferente daquela "coelhinha branca", que, apesar das roupas imaculadas e do semblante inocente, exalava uma aura calculista que incomodava.
— Venha, se sente aqui. — Valentina acenou com a mão.
O olhar de Selene vacilou. Por algum motivo, se sentiu culpada. O convite veio com um sorriso amigável, impossível de recusar.
— Eu...
— Do que você tem medo? Eu não mordo.
Valentina percebeu seu nervosismo.
O título de "Sra. Mello" podia impor uma certa distância, mas ela realmente gostava daquela mulher à sua frente.
Sozinha no segundo andar, entediada, e agora surgia uma oportunidade de diversão, claro que ela não deixaria escapar.
Selene olhou para Henrico, ainda hesitante.
Não era que temesse a Sra. Mello. Pelo contrário, se sentia bem ao seu lado, como se fosse uma pessoa gentil e fácil de se aproximar.
Mas... Cássia...
— Sra. Mello, você... — Selene lançou um olhar para a barriga volumosa de Valentina. — À tarde, com certeza a assustamos.
Valentina entendeu na hora.
Ela não estava com medo de Valentina, e sim de sua gravidez.
"Então, o incidente da tarde realmente a assustou!"
Valentina não insistiu.
— Bem... Que tal sentar ali?
Ela apontou para um lugar um pouco mais afastado.
Selene, no entanto, se sentiu constrangida.
— Sra. Mello...
— Não me chame de Sra. Mello, me chame de Valentina. Ele também me chama de Valentina. — Valentina lançou um olhar sugestivo para Henrico.
Henrico hesitou.
O que isso tinha a ver com ele?
Mas, no fim, não disse nada.
Ele percebeu que Valentina gostava de Selene!
— Valentina...?
"Então, o nome da Sra. Mello é Valentina!"
Chamá-la diretamente pelo nome...
— Isso... Não parece certo?
Selene sabia muito bem quem era a Sra. Mello e também conhecia sua própria posição. Nunca teve a intenção de se aproximar de ninguém por interesse.
Mas a Sra. Mello...
— Se não, pode me chamar de Vali? — Valentina sugeriu, olhando para ela.
Desde que herdara o Grupo Freitas e se tornara a filha da família Castro, além de carregar o título de "Sra. Mello", onde quer que fosse, as pessoas tentavam se aproximar dela.
Bajulação, elogios.
Sempre com um propósito.
Mas aquela mulher à sua frente... Seus olhos eram puros, sem disfarces. Essa autenticidade era rara e preciosa para Valentina, que queria se aproximar ainda mais dela.
Mas...
— Vali?
— Vali?
Mais uma vez, falaram ao mesmo tempo.
Henrico, surpreso.
Selene, além da surpresa, parecia lisonjeada.
Que sintonia!
Valentina lançou um olhar brincalhão para os dois e arqueou a sobrancelha, satisfeita:

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