— Que médico antigo o quê... Um médico desses conseguiria mesmo curar o Vovô Serra? Lázaro, você está me ouvindo?
Notando que Lázaro não lhe dava atenção, Débora Amaral seguiu a direção do olhar dele.
Ela viu uma garota enrolada em uma jaqueta acolchoada preta. A pele era alva, os traços delicados, e os olhos sorriam. O cabelo estava preso em um coque despojado, e alguns fios soltos lhe davam um charme despreocupado.
Ela parecia uma gata, transbordando curiosidade.
— Você está olhando para aquela garotinha?
— Acha ela bonita?
Débora sentiu um gosto amargo e indecifrável na boca.
Lázaro a ignorou e caminhou diretamente até Dália.
Como Yadson e os outros haviam pegado uma carona no jato particular, eles sentiam uma enorme gratidão por Lázaro.
Antes mesmo que Dália pudesse abrir a boca, o grupo já se apressou em cumprimentá-lo.
— Senhor Serra, que coincidência. — Dália sorriu, os olhos fixos nele, antes de desviar o olhar para Débora.
Estariam num encontro?
— Acabaram de jantar? — Lázaro não teve dúvidas ao sentir neles o cheiro característico de pato laqueado.
— Sim. É sua namorada? — Dália ergueu levemente o queixo, perguntando de forma direta sobre Débora Amaral.
Iran Fontes também encarava Lázaro.
Naquele dia no portão da escola, Dália agarrou o braço de Lázaro, e os dois pareciam muito íntimos.
Mas agora ele aparecia com uma namorada?
E a namorada parecia vir de uma família de prestígio. Estaria ele brincando com os sentimentos de Dália?
O que mais confundia Iran era que Dália não parecia nem um pouco incomodada.
Sem dar a Lázaro a chance de negar, Débora se adiantou e cumprimentou Dália: — Olá, eu sou a Débora Amaral.
— Lázaro, quem é essa menininha?
Débora conhecia bem o círculo de amigas de Lázaro, até porque ele sempre manteve distância de relacionamentos.
Mas Dália era diferente. Parecia tão novinha.
Era um rosto novo e, pelo sotaque, não era da capital.
Sempre atenta ao clima, ela tratou de encerrar a conversa: — Não vamos atrapalhar o jantar de vocês. Tchau!
Lázaro franziu a testa ao notar a pressa dela em ir embora, mas logo relaxou a expressão.
— Já que você entrou em recesso, vai continuar no dormitório da escola?
— Quer que eu vá buscá-la amanhã?
— O meu avô não parou de falar de você esses dias. Além disso...
Lázaro não terminou a frase, mas Dália entendeu o recado.
Embora as dores articulares do idoso tivessem diminuído, o problema não estava totalmente resolvido. Ele tomava a infusão especial de ervas todos os dias, mas aquela terapia oriental de estímulos precisos... desde que voltaram para a capital, não havia quem a aplicasse.
Já que Dália estava na área, não custaria nada levá-la até lá para mais uma sessão.
— Talvez eu não tenha tempo amanhã. — Dália se lembrou de que visitaria a Família Moreira no dia seguinte.
Ela não sabia a que horas estaria livre.
Não podia prometer nada a Lázaro de forma precipitada.

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