— Mãe, estou atrasado. Você deve estar morrendo de fome — Caio entrou com uma marmita, fechou a porta e foi até a cama da mulher ao lado, falando baixinho.
— Não estou com fome. Você é quem está se cansando demais nos últimos dias. — A mulher se sentou, forçando um sorriso.
— Não tem problema. Coma logo. — Caio abriu a marmita e insistiu para que a mãe comesse. Só então percebeu que não havia trazido os talheres. — Eu estava com tanta pressa que esqueci os talheres. Vou comprar agora mesmo.
— Eu como um pouco de pão. — A mãe o impediu imediatamente. — Deixe os pratos para o jantar. Você já está quase na hora de voltar ao trabalho. Descanse um pouco!
— Agora é justamente quando você mais precisa de nutrientes. — Caio afastou gentilmente a mão dela, que tentava detê-lo.
Mas a mãe o segurou de novo. Os dois ficaram naquele empurra-empurra, cada um insistindo que o outro deveria fazer o que queria.
— Eu tenho talheres aqui. Usem estes. — Cecília interveio no momento certo.
Quando trouxe o almoço, ela havia trazido dois pares extras de talheres descartáveis.
Os dois ficaram surpresos.
— Obrigada. — A mulher sorriu e se aproximou para pegar os talheres.
— Srta. Cecília. — Caio finalmente percebeu sua presença.
— Sr. Caio. — Cecília sorriu para a mãe dele e acenou com a cabeça para Caio.
Eles só tinham se visto uma vez, e ainda por cima num encontro arranjado. Encontrá-lo de novo, e num hospital, era inevitavelmente constrangedor.
Cecília apenas cumprimentou por educação e voltou a se sentar, sem intenção de prolongar a conversa. No entanto, depois de acomodar a mãe, Caio caminhou até ela.
— Srta. Cecília, o que traz você aqui?
Ele olhou para a cama onde Juju dormia, confuso.
— Um membro da minha família está doente. — Cecília levantou-se.

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