— Embora ela não tenha parentes, a chance de conseguir compatibilidade com outras pessoas também é alta. Não vai acontecer nada com ela. — Cecília falou lentamente.
— O problema é o dinheiro. A estimativa mais conservadora é de seiscentos mil. Como vamos deixar Belnorte agora? — Manuela estava agachada, encostada na parede, levantou a cabeça e olhou para Cecília.
Assim que ouviu essas palavras, o coração de Cecília apertou de repente. A vaga sensação ruim que vinha sentindo nos últimos dois dias se intensificou e chegou ao seu limite naquele momento.
Sem dinheiro, como ela iria embora? Como conseguiria pedir demissão?
Os lábios de Cecília se moveram levemente. Ela abaixou a cabeça e olhou para Manuela. Suas sobrancelhas estavam franzidas em um nó, fazendo com que ela parecesse ainda mais frágil e vulnerável.
As duas permaneceram frente a frente, em silêncio.
O tempo passou segundo após segundo, e o coração de Cecília afundava cada vez mais.
Depois de muito tempo, Manuela se levantou e caminhou até ela.
— Ceci, nós não podemos simplesmente ignorar isso. Não... — Ela não conseguiu dizer aquelas três palavras cruéis.
Cecília sabia o que ela queria dizer, então completou por ela:
— Não vamos embora.
Apenas três palavras, mas que carregavam uma quantidade enorme de impotência.
Uma emoção indescritível se espalhou pelo peito de Cecília. Uma mistura de amargura, luta, sofrimento, fazendo seu peito ficar tão apertado que ela mal conseguia respirar. Sua voz era tão baixa que Manuela achou que talvez tivesse ouvido errado.
— Cecília! Manuela! — Uma voz chamou as duas.
Em algum momento, Edna havia saído. Ela caminhou rapidamente até elas e olhou para as duas.

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