— É... é claro que tenho certeza! — A ideia de que Cecília estava grávida do filho de Murilo já estava profundamente enraizada na mente de Flávia. Ao ouvir o tom de dúvida da avó, ela retrucou como se fosse algo óbvio. — Se não for do Murilo, será que é do Heitor?
— Durante os dois anos de casamento, ela não engravidou dele. Agora, depois do divórcio, ele simplesmente a engravidaria? — Quanto mais pensava, mais Judite sentia que algo estava errado.
Flávia não acreditava nisso. Ela sabia que, durante os dois anos em que Cecília e Heitor foram casados, eles sempre tomaram precauções. Judite havia pressionado algumas vezes sobre ter filhos, mas Heitor sempre dizia que não havia pressa. Era evidente que ele nunca teve a intenção de ter filhos com Cecília. Então, por que, depois do divórcio, teria essa intenção? Só se tivesse enlouquecido.
Após pensar bem, Judite concordou com a mesma lógica.
— Vou sondar a família Siqueira. — Suspirando, a avó disse.
Não havia uma inimizade profunda entre as duas famílias Siqueira. Os conflitos sempre foram apenas profissionais, e a relação entre as famílias permanecia morna. Somado aos rumores externos, ambas acabaram mantendo certa distância uma da outra.
— Eles não vão ficar furiosos se a senhora for falar diretamente com eles sobre a situação da Ceci? — Flávia pensou que, independentemente de a família Siqueira aceitar ou não Cecília como nora, uma coisa era certa: Murilo era um canalha e claramente não queria assumir responsabilidade alguma.
Se elas fossem até lá exigir que ele assumisse a criança, a outra família certamente ficaria irritada, mesmo que estivesse disposta a melhorar as relações.
— Primeiro vamos amenizar a relação entre as duas famílias. Depois encontraremos uma oportunidade para falar sobre a Ceci. — Judite já tinha em mente uma excelente oportunidade de matar dois coelhos com uma cajadada só. Ela suspirou e continuou. — Só espero que ela não precise sofrer mais do que já sofreu.
— Se não der certo, que meu irmão sofra. Afinal, a vida sempre foi boa demais para ele. — Flávia assentiu e disse.
— A vida dele já começou a desandar desde que perdeu a Ceci. Se ele se casar com a Nicole, aí sim vai saber o que é sofrer. — Judite lançou-lhe um olhar.
— Então a senhora ainda pretende reconhecer a Ceci como neta? — Flávia perguntou novamente. — A senhora acha que existe a possibilidade de ela e o meu irmão voltarem a ficar juntos algum dia?
Judite ficou sem palavras. Quantos "e se" aquela garota ainda conseguiria imaginar?

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