— Eles não podem usar um cateter intravenoso? — Como se um pensamento lhe tivesse ocorrido de repente, Cecília perguntou.
Júlia balançou a cabeça. Era pequena demais para entender o que era um cateter.
— Mais tarde vou conversar com as enfermeiras e perguntar se é possível colocar um. — Enquanto falava, Cecília ajeitou a gola da roupa da menina e fechou melhor seu casaco.
— A Sra. Edna não deixa eu conversar com as enfermeiras. Ela diz que, se eu tiver qualquer dúvida, devo falar apenas com ela, e ela conversa com os médicos. — Júlia disse.
— Questões sobre a doença realmente devem ser discutidas com os médicos, mas essas coisinhas você pode perguntar às enfermeiras. — Cecília sorriu para ela.
— Não é isso. — Júlia balançou a cabeça. — A Sra. Edna não deixa eu conversar com as enfermeiras de jeito nenhum, nem uma palavra sequer. E, quando saio para passear, também não posso conversar com outras crianças.
— Por quê? — Cecília ficou surpresa.
— Não sei. — A menina baixou a cabeça e respondeu em voz baixa. — Uns dias atrás, fui escondida brincar no quarto ao lado. Tinha uma criança doente lá também, mas ela não precisa tomar injeção todos os dias.
— Sair escondida realmente não é certo. Não faça isso de novo, está bem? — Cecília sentiu que havia algo estranho naquela situação, mas primeiro a tranquilizou.
— Está bem. — Júlia assentiu.
— Além disso, aconteceu mais alguma coisa? — Depois de pensar um pouco, Cecília perguntou.
Os grandes olhos negros da menina piscaram. De repente, um brilho passou por eles.
— Naquele dia, o Sr. Murilo tinha vindo de novo. Eu ouvi escondida uma conversa entre ele e a Sra. Edna. Eles falaram algo sobre a verdade vir à tona...
— Cecília! — A voz de Edna surgiu repentinamente, não muito longe dali.
Cecília ergueu os olhos e viu a mulher caminhando em sua direção com um exame nas mãos e uma expressão extremamente desagradável.
— Juju, volte imediatamente para o quarto!
O tom severo assustou a menina. Ela se levantou e correu de volta para a ala de internação.
— Você mexeu na minha bolsa? — Cecília arrancou o exame de suas mãos. Seu rosto assumiu uma seriedade sem precedentes. — Você sabe que isso é invasão de privacidade?

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