— Agora você volta para Belnorte comigo. Fique tranquila, que, enquanto eu não ordenar o contrário, ele vai se casar com você. — Tânia falou com absoluta convicção enquanto acariciava o dorso da mão de Nicole.
Ela já havia prometido isso da última vez.
O plano de Nicole sempre foi recuar para depois avançar. Ela nunca teve a intenção de desistir de verdade, mas, colocada contra a parede por Tânia, não teve escolha senão concordar.
— Tudo bem. Devo reservar a passagem agora?
— Reserve. Quanto antes você voltar para Belnorte, melhor. — Percebendo a relutância estampada em seu rosto, Tânia acrescentou. — Não se preocupe. Vou garantir uma solução em relação à criança que Cecília está esperando.
Nicole não ousou fazer mais perguntas. Pegou o celular e comprou a passagem mais próxima para Belnorte.
Naquele mesmo dia, Tânia voltou para Belnorte levando Nicole consigo e fez questão de acompanhá-la pessoalmente até a casa da família Borba. Antes de partir, deixou apenas uma frase:
— Fique em casa e espere. Espere o Heitor vir, de livre e espontânea vontade, se casar com você.
Aquelas palavras foram como um tranquilizante, acalmando um pouco o coração inquieto de Nicole. Se havia alguém que mais apoiava seu casamento com Heitor, era Tânia.
Ao sair da casa dos Borba, Tânia foi direto para o prédio do Grupo Prospera.
Leandro tinha acabado de terminar uma reunião e voltou ao escritório completamente exausto.
— Sra. Tânia? — Ao ver Tânia sentada no sofá, levou um susto involuntário.
— Sente-se. Tenho algumas perguntas. — Ela endireitou a postura e apontou para o lugar ao seu lado.
O coração de Leandro disparou e um pressentimento ruim o invadiu. Ele caminhou até o sofá e se sentou, com o olhar vagando sem saber onde pousar.
— Me responde uma coisa. O bebê que a Cecília está esperando é do Heitor?
Tânia não tinha certeza se ele sabia. Mas, entre todos, Leandro era quem tinha mais chances de saber. Afinal, era quem acompanhava Heitor em compromissos de negócios todos os dias, saindo cedo e voltando tarde. Se nem ele soubesse, então só restariam duas pessoas que conheciam a verdade: Heitor e Cecília.
— S-Sra. Tânia, por que essa pergunta de repente? — Leandro fingiu não entender. — Uma coisa dessas, a senhora deveria perguntar diretamente ao Sr. Heitor.

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