— Se o senhor achar inconveniente mandar uma mensagem para avisar que está tudo bem, então deixe para lá. O Sr. Heitor é um adulto. De qualquer forma, se alguma coisa acontecer com ele, não tem nada a ver com a moça.
Cecília já nem conseguia se lembrar de quantas vezes Rodrigo havia feito aquele tipo de sondagem indireta.
Assim que terminou de falar, desligou.
O rosto de Rodrigo ficou rígido. Ele abaixou os olhos para o celular.
De repente, uma lata de cerveja veio voando e bateu em sua cabeça. Ainda havia um pouco de bebida dentro, que espirrou para fora e caiu sobre sua camisa.
Ele olhou, contrariado, para Heitor.
— Por que tanta conversa? — O semblante de Heitor estava sombrio, carregado de desagrado. — Manda uma mensagem para ela. Diz que estou muito bem.
Um homem que vai até a ponte no meio da noite para sentar-se sob a brisa do mar, e ainda chama alguém para lhe trazer bebida, está "muito bem"?
Rodrigo percebeu, mas não comentou. Apenas caminhou até o lado dele e se sentou.
— Falta pouco mais de um mês para o seu casamento com Nicole.
— Não precisa me lembrar. — Heitor franziu a testa.
— Não precisa agradecer. — Rodrigo abriu uma lata de cerveja e bateu de leve no copo que Heitor segurava.
Heitor inclinou a cabeça para trás e bebeu. Uma gota de líquido transparente escorreu pelo canto de sua boca. Deslizou pelo contorno sensual de seu maxilar, deixando uma marca tênue e tornando seus traços ainda mais sedutores.
— Por que você deixou a Cecília trocar de emprego de repente? — Rodrigo estava curioso.
— Ela queria ir embora. Será que eu poderia obrigá-la a ficar? — Heitor respondeu.
As palavras pareciam sarcásticas e, ao mesmo tempo, despreocupadas, mas não combinavam nem um pouco com o estado em que ele se encontrava naquele momento.
— Mesmo que tentasse, você não conseguiria fazê-la ficar. — Rodrigo não insistiu.
— Deixa a bebida e vai embora. — Heitor estava claramente o expulsando.
— Isso aqui não é sua casa. Eu posso ficar sentado aqui o tempo que eu quiser. — Rodrigo apoiou as duas pernas nas pedras. Arrumou as roupas, bagunçadas pelo vento do mar, e lançou um olhar para a gola de Heitor, que estava quase sendo aberta pelo vento. — Você precisa se cuidar. Se ficar doente, não vai ter mais ninguém para cuidar de você.
As sobrancelhas de Heitor se contraíram. Ele olhou para Rodrigo, descontente.


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