— Vamos. — Rodrigo deu um tapinha no ombro de Heitor. — Se não formos embora agora, os repórteres vão aparecer.
O responsável pelo Grupo Prospera e herdeiro da família Siqueira. Qualquer um desses dois títulos, por si só, já seria suficiente. Se alguém com uma dessas identidades fosse visto bebendo à beira-mar no meio da noite a ponto de chamar a atenção da polícia, a mídia teria material de sobra para inventar duas matérias sensacionalistas.
Heitor se levantou. A camisa preta se inflou sob o vento, formando grandes volumes de tecido.
Quando ficou de frente para o vento, porém, a camisa voltou a se colar firmemente à sua cintura esguia.
— Obrigado pelo trabalho. Vamos embora agora. — Ele se virou e caminhou em direção à margem sem olhar para trás.
Não havia táxis naquele lugar. Os policiais, decidindo fazer uma boa ação, levaram Heitor e Rodrigo de volta.
Depois de descer da viatura, Heitor colocou o casaco sobre os ombros e caminhou para dentro da mansão sem sequer olhar para trás.
Rodrigo foi atrás dele e, de repente, caiu na risada.
— Cecília realmente é uma figura.
Sua risada ainda não havia desaparecido quando a porta se fechou com um estalo seco.
Rodrigo estremeceu com o barulho repentino. Seu nariz ficou a apenas um centímetro da porta.
— Amanhã, quando a família Azevedo vier me procurar, entro em contato com você novamente. — Ele gritou através da porta antes de ir embora.
Depois que a polícia levou Heitor de volta para casa, ligou para Cecília.
— Muito obrigada. — Cecília agradeceu. — Isso envolve a reputação do Sr. Heitor. Espero que possam manter isso em sigilo.
— Se alguma coisa acontecesse com o Sr. Heitor aqui, nós não teríamos como assumir a responsabilidade. Obrigado pelo aviso, Srta. Cecília. — O policial sabia muito bem o que estava em jogo.
Depois de desligar, Cecília mandou uma mensagem para Rafaela, tranquilizando-a, e voltou à mesa de jantar.
Naquele momento, Murilo já estava bêbado. Batendo na mesa e arregalando os olhos, contava histórias sobre todas as coisas desumanas que Heitor havia feito ao longo daqueles anos.
— Chega. Já está na hora do Tetéu dormir. Vamos encerrar por hoje. — Cecília se aproximou e começou a arrumar a mesa.
— Não mexe nisso. — Manuela se levantou e a empurrou para longe. — Leva essa criatura com você. O resto deixa comigo e com a Dona Irene. Pode ir.
Não se sabia que tipo de bravata Murilo havia contado para Manuela, mas ela claramente estava farta dele.

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