Quando Cecília pediu demissão, uma das cláusulas do acordo dizia que, caso surgissem assuntos de trabalho indispensáveis após sua saída, ela deveria cooperar. Embora naquele momento não tivesse a menor vontade de trabalhar, seu profissionalismo falou mais alto.
— Quanto tempo vai demorar? — Ela caminhou até Heitor.
— O tempo de um almoço. — Heitor abriu a porta do banco do passageiro.
Cecília entrou, curvou-se para colocar o cinto e pegou o celular.
Enquanto dava a volta pela frente do carro, Heitor percebeu que ela estava mandando uma mensagem. Seus olhos escureceram por um instante antes de entrar e ligar o motor.
Sem as provocações sarcásticas de antes, o silêncio dentro do carro não era exatamente confortável.
Cecília evitava olhá-lo por instinto. Mas quanto mais fugia, mais estranha a atmosfera se tornava.
O restaurante Mirante ficava no último andar de um shopping no centro da cidade. Toda a decoração em tons de vermelho escuro, banhada pela luz do sol, brilhava num carmesim radiante.
Detalhes em preto e branco conferiam ao espaço uma atmosfera estéril, quase etérea, desprovida da agitação habitual de um restaurante.
A sala VIP tinha enormes portas duplas de madeira que exibiam entalhes intrincados, revelando luxo em cada detalhe.
Quando o garçom abriu as portas, havia duas pessoas esperando lá dentro.
Cecília reconheceu uma delas imediatamente.
Soraia era a elegante senhora que ela e Manuela haviam encontrado no restaurante dias atrás.
— Sr. Danilo. Sra. Soraia. — Assim que os dois se levantaram, Heitor fez as apresentações. — Esta é minha secretária, Cecília.
Danilo à sua frente era Danilo Azevedo, irmão mais novo de Daniel, acompanhado da esposa.
Embora Cecília nunca o tivesse visto no banquete da família Azevedo, já tinha ouvido falar muito dele. Diziam que Danilo não tinha o menor interesse pelos negócios da empresa. Vivia apenas dos dividendos da família e raramente aparecia em eventos sociais.
Então, por que Heitor estava ali para encontrá-lo?
— Sentem-se. — Danilo puxou uma cadeira ao seu lado e lançou um olhar para Soraia.
— Vocês conversem. Eu vou me sentar ali. — Ela desviou o olhar de Cecília e falou suavemente.
Heitor virou discretamente a cabeça e olhou para Cecília. E ela entendeu o recado imediatamente.
— Vou fazer companhia à Sra. Soraia. — Com a bolsa na mão, seguiu Soraia até a mesa de chá.

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