Seu nome tinha apenas uma sílaba: So. A foto de perfil era a imagem de um recém-nascido.
As bordas estavam amareladas, e a fotografia era em preto e branco. Não parecia ser recente.
— É a minha filha. — Ao perceber que ela estava olhando fixamente para a foto, Soraia falou em voz baixa. — Ela morreu pouco depois de nascer.
O olhar de Cecília vacilou e ela bloqueou a tela do celular.
— Sinto muito. Meus pêsames.
— Não tem problema. Já superei isso.
Soraia abriu o perfil de Cecília e encontrou tudo vazio.
— Vocês, jovens, não costumam adorar postar nas redes sociais?
— Estou sempre ocupada com o trabalho, não tenho tempo. Aos poucos, acabei perdendo o hábito.
O perfil de Cecília estava praticamente vazio. A publicação mais recente era sobre o nascimento do bebê de Manuela e como ela havia se tornado mãe.
Só que aquela publicação estava visível apenas para Heitor.
— Sua amiga deve ser tão extraordinária quanto você. — Soraia disse e pousou o celular.
As palavras dela deixaram Cecília surpresa.
— Quero dizer que só alguém suficientemente extraordinário poderia ser amiga de uma pessoa tão excepcional quanto você. — Explicou Soraia.
— Ela realmente é extraordinária. Mais do que eu, inclusive.
Cecília e Manuela tinham personalidades complementares. Ela não tinha a mesma espontaneidade e franqueza de Manuela, assim como Manuela não possuía sua maturidade e discrição.
Às vezes, Cecília desejava ser mais como a amiga.
— Que bom, então. — Murmurou Soraia.
Cecília não ouviu direito. Ou melhor, ela havia escutado aquelas três palavras, mas simplesmente não conseguia entender o que significavam. Talvez tivesse ouvido errado.

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