Heitor tirou o paletó do terno e o colocou sobre Cecília e o bebê.
O aroma familiar envolveu as narinas de Cecília, trazendo-lhe uma tranquilidade inexplicável. Aquele homem deveria ser justamente quem ela mais queria evitar, a última pessoa que deveria aparecer na sala de parto, mas seu instinto lhe dizia que, enquanto ele estivesse ali, tudo ao redor gradualmente voltaria à calma e os perigos desconhecidos desapareceriam.
Ela ergueu o braço e o apoiou suavemente sobre aquele pequeno embrulho amarelo-claro.
Uma sensação de calor e um leve toque chegaram até ela. Suas pálpebras se abriram e se fecharam algumas vezes, antes que ela mergulhasse novamente em um estado de inconsciência nebulosa.
Heitor empurrou pessoalmente a maca em que ela estava para fora da sala de parto. Seus olhos, afiados como os de uma águia, estavam carregados de severidade e desolação.
— Levem Rodrigo para a emergência. Controlem todos os outros e descubram quais eram as motivações deles.
— Sim, Sr. Heitor!
Rodrigo se levantou e seguiu Heitor aos tropeços. Passou o braço pelos ombros dele e saiu da sala de parto.
— Heitor, já paguei minha dívida com você. Estamos quites.
Depois de dizer isso, ele parou. Seu corpo oscilou duas vezes antes de começar a desabar lentamente.
— Rodrigo! — Manuela apareceu pela esquina.
Ao ver Rodrigo com o rosto todo machucado, deixou a mamadeira que segurava cair no chão, produzindo um som cristalino.
Manuela correu para a frente e amparou Rodrigo, que estava prestes a cair.
— O que aconteceu? Onde está Cecília? O que houve?!
Era para ser uma sala de parto, mas parecia um campo de batalha. A porta da sala estava firmemente fechada, mas ainda era possível ouvir vagamente gritos e o barulho de coisas sendo quebradas lá dentro.
Ela soltou Rodrigo e correu em direção à sala de parto.
— Ela... está bem... — Rodrigo agarrou o pulso dela. Assim que terminou de falar, desabou completamente no chão.
Manuela se desvencilhou dele e estava prestes a invadir a sala quando viu um homem de terno sair de dentro.
A porta foi fechada rapidamente, mas o cenário lá dentro ainda era perfeitamente visível. O cômodo estava cheio de pessoas. Todos estavam com os rostos machucados, gemendo de dor. O cheiro de sangue se espalhava pelo ar.
— Cecília! Onde está Cecília?! — Manuela estava tão desesperada que seus olhos ficaram vermelhos. — Quem são vocês?!

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