Quarto de hospital de Cecília.
O bebê era surpreendentemente quieto. Deitado ao lado dela, franzia os lábios enquanto olhava para os lados. Seu rostinho enrugado e avermelhado tinha uma aparência um tanto peculiar, mas, quanto mais Cecília olhava para ele, mais seu coração se derretia.
— O desejo de Manu não se realizou. Você não é a futura noivinha do Tetéu, mas vai ser um bom amigo para ele.
Sentindo a dor do ferimento, ela se virou ligeiramente de lado para ficar de frente para o bebê.
Quando colocou um dedo na mãozinha dele, o pequeno imediatamente o agarrou com força.
— O casamento de Heitor, filho mais velho da família Siqueira de Belnorte, foi interrompido pela futura sogra, que declarou publicamente sua oposição à união...
A televisão estava ligada no quarto, transmitindo continuamente notícias do mundo dos negócios.
O volume estava baixo, e Cecília sequer prestava atenção. Mas, quando ouviu inesperadamente aquele anúncio, ergueu a cabeça.
O casamento havia sido transmitido ao vivo e, depois, as imagens tinham sido editadas e exibidas repetidas vezes em reportagens de diferentes ângulos.
Tânia empurrou as portas do salão de festas. Vestida com um vestido vermelho-escuro, ela tinha uma expressão tão constrangida que nem mesmo a maquiagem impecável conseguia disfarçá-la.
Aquele deveria ser o momento da entrada do noivo, mas foi ela quem surgiu pela porta.
Sob os olhares de todos, ela caminhou até Nicole, que vestia um vestido de noiva branco, ergueu o braço e desferiu uma forte bofetada no rosto dela.
— O casamento está cancelado! Você não é digna de fazer parte da família Siqueira!
Assim que essas palavras foram ditas, o salão inteiro entrou em alvoroço.
O choque estampado no rosto dos convidados só se comparava ao pânico absoluto de Nicole.
— Sra. Tânia, o que aconteceu? O que fiz de errado? Onde está o Heitor? Ele mudou de ideia?
Assim que terminou de falar, as lágrimas começaram a escorrer por seu rosto. Em questão de segundos, ela chorava incontrolavelmente.
Ela, que antes despertava a inveja de todos, viu-se abandonada da noite para o dia e reduzida a uma figura de profunda desolação.
Olhares de compaixão se voltaram para ela. A situação era tão absurda que as pessoas não conseguiam evitar os murmúrios de indignação, exigindo justiça em seu nome.

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