— Para a Manuela.
Apesar das indiretas de Heitor e de ele continuar convencido de que aquela criança era filha de Murilo, Cecília não se explicou.
— Se você está em apuros, por que a primeira pessoa em quem pensa procurar não é ele? — Heitor puxou uma cadeira e se sentou ao lado dela.
Será que ela não considerava Murilo confiável? Se fosse esse o caso, por que estava tão determinada em ficar com aquela criança?
Aquela criança... o filho de Murilo.
Heitor olhou para o bebê nos braços dela. O pequenino era enrugado, mirradinho e feio, parecendo um velhinho. Não se parecia nem um pouco com Murilo.
Ainda bem que não. Caso contrário, seria ainda mais feio.
— Eu... — Cecília franziu as sobrancelhas delicadas, seu rosto pálido demonstrava certa hesitação.
Era evidente que ela não queria falar sobre o assunto com ele.
— Manuela não pode te ajudar com essa questão. — Heitor desviou o olhar, e sua voz adquiriu um tom de desolação. — Cecília, se confia em mim, ouça o que estou dizendo.
Cecília estava desconfiada dele, mas, ao mesmo tempo, confiava nele.
Após alguns segundos em silêncio, assentiu levemente.
— Eu confio em você, mas quero avisar a Manu que estamos bem.
Ao ouvir isso, Heitor pegou o celular e o entregou a ela.
— Seu celular está com Rodrigo.
Cecília sabia o número de Manuela de cor, por isso ligou diretamente para ela.
O telefone tocou algumas vezes antes de ser atendido.
— Alô? — A voz de Manuela soou hesitante.
— Manu, sou eu.
— Onde você está? — Assim que ouviu a voz de Cecília, Manuela começou a gritar. — O que aconteceu? Heitor está te mantendo em cativeiro? O que ele está tentando fazer? Vou chamar a polícia agora mesmo, eu...
Manuela já havia imaginado toda uma série de acontecimentos dramáticos. Chegou até a cogitar fazer uma live enquanto chamava a polícia, para transformar aquilo num escândalo e expor tudo de uma vez.
Por mais poder que a família Siqueira tivesse, nem mesmo eles poderiam fazer uma pessoa desaparecer assim, como se nada tivesse acontecido.
— Primeiro, se acalme. — Cecília a interrompeu. — Eu e o bebê estamos bem. De fato, algumas coisas aconteceram, mas só vamos conversar sobre tudo depois que eu terminar meu período de resguardo.

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