Sandra achava que a raiva de Tânia viesse inteiramente daquele laudo médico. Quando tudo fosse esclarecido, Tânia voltaria a aceitar Nicole.
Após uma noite, as notícias sobre o casamento desapareceram por completo. Tudo foi limpo como se nada daquilo jamais tivesse acontecido.
O noticiário matinal de economia começou a anunciar um novo projeto de cooperação entre a filial do Grupo Prospera e o setor político de Santa Marina.
Cecília mudou de canal várias vezes, passando por diferentes emissoras de notícias financeiras, mas não viu mais nenhuma notícia sobre Heitor.
Ela franziu as sobrancelhas e largou o controle remoto.
— Daqui a pouco, Leandro vai chegar. Ele trará um celular novo para você. — Heitor estava sentado no sofá, aos pés da cama, com o notebook no colo, cuidando dos assuntos do trabalho.
Suas sobrancelhas estavam ligeiramente franzidas.
Embora as notícias do dia anterior tivessem sido abafadas, o acontecimento era grande e já havia se espalhado, trazendo problemas complicados para o Grupo Prospera.
— Dez minutos, no máximo. — Ele ergueu a mão e olhou para o relógio de pulso.
— Você não pode simplesmente me devolver o meu celular? — Cecília não entendia por que Heitor não podia pegar seu aparelho e entregá-lo a ela.
— Para garantir que você tenha um pouco de paz e sossego durante este momento crítico.
Naquele momento, além de Manuela, havia muitas outras pessoas procurando Cecília.
O celular que ela havia deixado com Rodrigo já havia tocado tantas vezes a ponto de acabar a bateria. Se o aparelho voltasse para as mãos dela, como conseguiria passar o período de resguardo em paz?
— Que tipo de perturbação? É só mais prático ter meu próprio celular.
Sem o aparelho, Cecília sentia que lhe faltava alguma coisa.
— Prático para quê? — Heitor deixou a revista de lado e descruzou as pernas, que estavam apoiadas uma sobre a outra. — Para entrar em contato com Murilo? Quando você estava em apuros, ele nem sequer estava lá. Tem certeza de que, se procurá-lo agora, ele vai se importar com você?
Ele até era uma pessoa boa e se preocupava com ela, mas tinha a língua afiada e o hábito de fazer comentários sarcásticos. Mesmo que ela e Murilo não tivessem a relação que Heitor imaginava, ela se sentia incomodada ao ouvi-lo falar daquela maneira.
Antes que ela pudesse responder, a porta do quarto foi aberta.
— Sr. Heitor? — A voz de Leandro soou do lado de fora.
— Entre. — Disse Heitor de forma seca.

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