— Se não tem nada melhor para fazer, venha aqui e organize estes documentos. — Heitor franziu as sobrancelhas e falou, descontente.
Leandro sentiu um arrepio percorrer a espinha. Sem dizer uma palavra, virou-se imediatamente e voltou para perto de Heitor.
— Sr. Heitor, quais documentos precisam ser organizados?
Heitor jogou uma pilha de documentos cuidadosamente arrumados na direção dele.
Eram documentos que já estavam organizados, mas Heitor não explicou o que ainda precisava ser feito. Sem outra opção, Leandro se limitou a mexer aqui e ali, trabalhando em silêncio.
— O que está acontecendo em Belnorte? — Heitor voltou a perguntar.
— As notícias foram todas abafadas. A Sra. Sandra está esperando do lado de fora da casa da família Siqueira há um dia e meio. Ela quer ver a Sra. Tânia. — Ao dizer isso, Leandro ficou um pouco intrigado. — Por que eles não vêm procurar o senhor? Por que querem ver a Sra. Tânia?
Heitor entreabriu os lábios, prestes a responder, quando o pequeno no berço soltou um leve resmungo.
Cecília esticou o pescoço para olhar ao lado, mas só conseguiu ver o bebê chutando as perninhas e agitando os bracinhos, sem conseguir alcançar nada.
— Leve os documentos para o quarto do Rodrigo. Daqui a pouco vou até lá cuidar disso. — Enquanto falava, levantou-se e caminhou até o carrinho. Imitando o que tinha visto a enfermeira fazer, começou a balançá-lo suavemente. — Será que ele está com fome?
— Não sei. — Cecília balançou a cabeça. — A enfermeira logo deve voltar. Passe-o para mim e vá cuidar do seu trabalho.
— A enfermeira disse que, depois de uma cesariana, é melhor esperar antes de pegar o bebê no colo. — Heitor abaixou-se, com a mão grande apoiando o bumbum do bebê, mas não conseguia descobrir exatamente como sustentar a cabeça da criança da maneira correta.
Aquele homem, que se movia com desenvoltura no mundo dos negócios e tomava decisões sobre projetos de centenas de milhões em questão de minutos, estava agora completamente desconcertado diante daquele pequenino de quase três quilos.
Leandro olhou para aquela cena e saiu silenciosamente do quarto, levando os documentos consigo. Quando a porta se fechou por completo, ele não resistiu à vontade de olhar para dentro mais uma vez.
Ex-marido, ex-chefe... nem sequer podiam ser considerados amigos.
Ele sabia que, naquele momento, Cecília estava à mercê da situação, não tinha escolha a não ser deixar as coisas seguirem seu curso.
No entanto, ele realmente não conseguia imaginar o que se passava na cabeça de Heitor. Independentemente de qual fosse sua relação com ela, não cabia a ele cuidar pessoalmente do bebê ou proteger Cecília daquela maneira.
Por outro lado, a situação com a família Azevedo... essa era uma longa história.
Leandro fechou a porta de vez e foi para o quarto de Rodrigo.

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