A sensação macia e delicada de suas mãos tocou as bochechas de Rodrigo.
Como se tivesse sofrido uma queimadura, ele sentiu uma onda de calor se espalhar pelo rosto até alcançar as orelhas. Seus olhos negros encararam os olhos de Manuela, tão nítidos e brilhantes.
— É verdade. — Disse ele, com o pomo de Adão de Rodrigo se movendo.
— Eba! — Manuela ficou radiante. Soltou Rodrigo e deu uma volta no mesmo lugar. — Finalmente! Amanhã vou poder ver a Cecília!
Ela se jogou no sofá e começou a calcular quais eram as chances de conseguir resgatar Cecília no dia seguinte.
Depois de pensar por um bom tempo, chegou à conclusão de que as chances eram zero. No primeiro encontro, teria de sondar o terreno e descobrir o que estava acontecendo. Com certeza, precisaria de uma segunda visita.
— Sr. Rodrigo, você ainda não está completamente recuperado. Amanhã, depois de ver Cecília, vou em casa dar uma olhada no meu filho. Depois, volto para cuidar de você por mais dois dias, que tal?
— A Srta. Manuela está tão preocupada comigo... — Rodrigo percebeu imediatamente suas intenções. — Muito obrigado, então.
— Ah, somos conterrâneos! — Manuela acenou com a mão. — É o mínimo que eu poderia fazer. Então está combinado!
Naquela noite, Manuela estava tão empolgada que não conseguiu dormir.
Às oito da manhã do dia seguinte, Cecília tinha acabado de amamentar o bebê. Enquanto segurava nos braços o pequenino, que dormia profundamente, a porta do quarto se abriu.
Foi Rodrigo quem abriu a porta. Ele se afastou um pouco, e a cabeça de Manuela apareceu por trás dele. Assim que viu Cecília, ela empurrou Rodrigo para o lado e atravessou o quarto em três passos largos.
— Você está bem? Eu estava morrendo de preocupação! Nunca imaginei que aquele canalha do Heitor tivesse escondido você bem debaixo do meu nariz!
Manuela sabia que Cecília havia feito o parto naquele hospital. Pensava que ela já tivesse recebido alta e que Heitor a tivesse levado para casa para se recuperar.
Nos últimos dias, ela havia tentado arrancar informações de Rodrigo de todas as maneiras possíveis, mas não havia descoberto absolutamente nada.
Ao baixar os olhos para o pacotinho nos braços de Cecília, franziu as sobrancelhas com uma expressão de desagrado.
— Você acabou de dar à luz. Não deveria estar segurando o bebê. Passe-o para mim, depressa.
Ela jogou a bolsa no sofá, esfregou as mãos na roupa e recebeu a criança com ambas as mãos.

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