Será que, no fundo, aquela criança era filha de um inimigo?
— É impossível conhecer o coração das pessoas.
Aquela criança era a vida de Cecília. E Manuela precisava se preparar para todas as possibilidades. Não podia permitir que ninguém ameaçasse a vida de Cecília.
— Normalmente, não fica ninguém do lado de fora do seu quarto?
— Fica, sim. — Cecília assentiu. — Eu nunca saí daqui, mas há pelo menos cinco ou seis pessoas lá fora.
— Viu só? — Manuela estava com uma expressão preocupada. — Se isso não é cárcere privado, então o que é? Não sei o que se passa na cabeça dele, mas, neste momento, ele está mantendo você confinada.
O olhar de Cecília pousou sobre o bebê.
Ela refletiu calmamente por um bom tempo antes de responder.
— Manu, não acho que Heitor seja esse tipo de pessoa. E, mesmo que seja, não posso me dar ao luxo de romper com ele. Preciso dar um passo de cada vez e esperar por uma oportunidade de ir embora.
— Você tem razão. — Manuela não queria deixar Cecília ainda mais ansiosa. — Vou ficar perto de Rodrigo. Ele pode me ajudar a vir te ver. Enquanto isso, vou ficar atenta ao que acontece lá fora e te aviso assim que souber de algo. Aliás, cadê o seu celular?
Cecília tirou um aparelho debaixo do travesseiro.
— O meu está com Heitor.
Aquele celular não tinha cartão SIM, mas podia se conectar à internet, o que permitia o uso do WhatsApp.
Manuela usou seu próprio número para registrar outra conta no WhatsApp, entrou nela pelo celular de Cecília e adicionou a si mesma como contato.
— Deixe o celular no silencioso. Se acontecer qualquer coisa, mande uma mensagem para mim imediatamente.
— Está bem. — Cecília ocultou o aplicativo do WhatsApp e assentiu. — Mas não fique de plantão no hospital, o Tetéu precisa de você. Não pense só em mim.
— O Tetéu está com a Dona Irene. Está tudo bem. — Manuela abaixou a cabeça, acariciando suavemente a bochecha do pequenino. — Esse pestinha é tão parecido com Heitor que chega a dar a impressão de que estou segurando ele nos braços.
Ela mudou de assunto tão depressa que Cecília ficou sem palavras.
— A sua em situação é ainda pior. — Disse Manuela, que, ao se lembrar de alguma coisa, soltou uma risadinha debochada. — Você deve ter a sensação de que Heitor está mamando no seu peito.
Cecília arregalou os olhos, perplexa com o que ela havia dito.


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