— O quê?! — A voz de Manuela ficou estridente. — O passado da Ceci? Você encontrou os pais dela?
— Ainda não. — Murilo balançou a cabeça. — Mas descobri que, quando a diretora do orfanato foi a Belnorte naquela época, levou uma criança com ela. De acordo com as minhas investigações, essa criança era Cecília.
— Mas a Dona Edna sempre disse que você tinha sido encontrada na montanha de um templo em Belnorte! — Manuela se virou para olhar a amiga.
Cecília agarrou o moisés do bebê com tanta força que seus nós dos dedos ficaram brancos, e as veias no dorso de sua mão saltaram. Ela respirou fundo antes de encontrar o olhar de Manuela.
— Neste momento, nada disso importa para mim.
— Importa, sim! — Murilo olhou para ela pelo retrovisor. — Edna é de Santa Marina. Isso significa que você também pode ser daqui.
— Você pode continuar investigando? — Manuela se virou imediatamente para Murilo.
Seu entusiasmo só tornava o silêncio de Cecília ainda mais evidente.
— Cecília, devo continuar investigando ou não? — Murilo perguntou com cautela.
— Investigue! — Respondeu Manuela, virando-se novamente para a amiga. — Depois que descobrirmos a verdade, você decide se quer conhecê-los ou não. Vai que seus pais passaram todos esses anos procurando por você?
— E se as coisas não forem como imaginamos? — As sobrancelhas de Cecília permaneceram ligeiramente franzidas, incapazes de relaxar.
— Nesse caso, simplesmente agimos como se eles não existissem. Prepare-se para o pior cenário: eles não te quiseram e te abandonaram. Todos esses anos, você nunca quis procurá-los justamente porque tinha medo de essa ser a verdade. Bem, no pior dos casos, nada muda e voltamos à vida que levamos agora. Não seria tão terrível, seria? — Manuela continuou. — Mas você já pensou na outra possibilidade? E se eles estiverem procurando por você esse tempo todo? Mais de vinte anos se passaram. Quantas noites eles podem ter passado chorando, sem conseguir suportar a dor de viver sem você...
Antes de ser mãe, Cecília não conseguia compreender o que significava perder um filho. Agora, ela tinha o Tomás. Só de pensar que, caso realmente tivesse se perdido dos pais naquela época, eles deveriam ter ficado desesperados...
Aos poucos, ela começou a ceder.
— Vou continuar investigando por aqui, mas existe um caminho ainda mais rápido: procurar a diretora do orfanato e perguntar diretamente a ela.
Ao perceber que Cecília já não demonstrava tanta resistência, Murilo soube que ela havia concordado.
Manuela pegou o celular e entrou em contato com Edna para perguntar se ela já havia voltado a Belnorte.
Tomás estava dormindo. Enquanto observava o rostinho adormecido do bebê, Cecília sentiu pequenas ondas começarem a agitar as profundezas tranquilas de seu coração.

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