Heitor ergueu ligeiramente uma sobrancelha, sem acreditar.
— Bem, e quanto à Cecília? Devemos deixá-la por conta própria e voltar para Belnorte? — Leandro perguntou, hesitante.
Se Heitor abandonasse Cecília naquele momento e voltasse para Belnorte, Tânia deixaria de pressioná-lo para investigar o assunto e passaria a perguntar diretamente ao próprio filho. Assim, ele conseguiria escapar daquela enrascada.
— Se eu não cuidar dela, vou cuidar de quem? Você? — Retrucou Heitor. — Pedi que você enviasse um presente generoso a Danilo. Já fez isso?
Naquele dia, quando saiu às pressas de Belnorte, Heitor não levou o celular. Por coincidência, encontrou Danilo no aeroporto, que lhe disponibilizou alguns homens de última hora, e foi graças a isso que Heitor conseguiu chegar ao hospital com reforços.
— Já enviei, mas o Sr. Danilo não aceitou. Ele disse que pediria um favor quando o senhor estivesse menos ocupado. — Leandro respondeu.
— Então vamos nos encontrar. Algumas coisas já deveriam vir à tona. — Heitor apoiou levemente a ponta dos dedos sob o queixo, com uma expressão indecifrável.
Naquela mesma tarde, Heitor encontrou Danilo em uma cafeteria.
— Sr. Heitor, embora não tenhamos nos encontrado muitas vezes, nossa relação é de confiança mútua. Por isso, não vou ficar rodeando e vou direto ao assunto. — Danilo estava ansioso por aquele encontro. — Agora posso dizer com certeza de que minha filha recém-nascida não morreu no parto, ela foi levada por alguém. E foi esta pessoa quem a levou.
Ele tirou uma fotografia do bolso e a colocou diante de Heitor.
— Também descobri para onde ela levou minha filha e onde ela está agora. Mas há mais uma coisa que me deixa curioso: aquela Cecília...
Sentado em uma cadeira de bambu, Heitor lançou um olhar à fotografia.
Era uma foto antiga, de mais de vinte anos atrás, e a mulher retratada ainda era muito jovem.
Ainda assim, ele a reconheceu imediatamente. Era a diretora do orfanato onde Cecília havia crescido.

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