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Armadilha Doce: Casei com o Irmão do Meu Ex romance Capítulo 396

Depois que Larissa saiu, Otávio recolheu o olhar e voltou à mesa.

— Já que não há mais objeções, assinem este aditivo.

Deu duas batidas leves com os dedos sobre o tampo.

Leandro distribuiu os documentos que já estavam preparados, uma via para cada responsável.

Larissa, por sua vez, não tinha a menor vontade de continuar ali.

Já disse tudo o que precisava.

Ficar sentada à mesa, sorrindo para homens que dias antes viraram as costas para o Grupo Moretti e agora se desdobravam em gentilezas lhe causava repulsa.

Ela nunca viveu de verdade naquele mundo de interesses, alianças e traições. Mas conhecia bem o roteiro.

Viu aquilo em séries vezes demais.

E, como roteirista nas horas vagas, também escreveu histórias assim mais vezes do que conseguia contar.

Larissa seguiu pelo corredor até o banheiro no fim do salão.

Nos últimos dois dias, viveu com os nervos esticados ao limite. Lavou as mãos devagar, respirou fundo por alguns instantes e só então voltou para o corredor.

Foi quando a porta de outra sala privativa se abriu.

Uma figura alta e robusta saiu dali.

Ao erguer os olhos e reconhecê-la, Augusto arqueou uma das sobrancelhas. Sem hesitar, veio na direção dela.

De novo ele.

Larissa decidiu fingir que não viu.

Continuou andando, olhando para a frente.

Já estava prestes a passar por ele quando ouviu uma risada baixa, carregada de provocação.

— A Srta. Larissa é mesmo fria. A gente se encontra cara a cara e você ainda finge que nem me conhece.

Augusto parou e a observou com evidente diversão.

Aquilo conseguiu fazê-la parar também.

Larissa ergueu lentamente os olhos.

— Não somos próximos.

A resposta veio seca, sem qualquer espaço para interpretação.

Ela realmente não queria criar mais nenhum vínculo com aquele homem.

Augusto enfiou uma das mãos no bolso da calça e curvou os lábios.

— Desse jeito, parece até que conseguiu o que queria comigo e agora finge que não me conhece.

Larissa franziu a testa.

Esse homem tinha algum problema?

Para piorar, alguém passava pelo corredor naquele exato momento.

A pessoa claramente ouviu a frase e precisou esconder um sorriso.

A paciência de Larissa acabou.

— O senhor está bem?

— Não.

Augusto se colocou de frente para ela.

— Ainda tem a roupa que você me deve.

Fez uma pausa.

— E agora o carro também. Vai fingir que esqueceu tudo?

Havia alguma coisa de indomável nele.

Augusto já era naturalmente imponente pela altura e pelo físico, mas o modo despreocupado com que ocupava o espaço carregava uma agressividade difícil de ignorar.

Não era por acaso que, no meio empresarial, bastava mencionar Arthur Vasconcelos e Augusto Duarte para muita gente passar a escolher melhor as palavras.

Um gelava a sala sem precisar levantar a voz.

O outro parecia sempre a um passo de transformar provocação em confronto.

Larissa, porém, não demonstrou o menor receio.

Soltou uma risada curta.

— Sr. Augusto, se isso é uma tentativa de dar em cima de mim, precisa atualizar um pouco o repertório.

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