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Armadilha Doce: Casei com o Irmão do Meu Ex romance Capítulo 427

O olhar de Henrique se voltou para Arthur.

Sob a luz da lua, a figura alta e impecável dele projetava uma sombra longa sobre o chão. Havia algo silenciosamente desolado naquela imagem, uma solidão que nem a postura ereta conseguia esconder.

Depois de terminar a conversa, Larissa se despediu de Henrique.

E foi embora sem dirigir a Arthur um único olhar.

Arthur esperou até vê-la se afastar e então veio até o avô em passos largos.

— Vô, por que não convidou ela para jantar com a gente?

Henrique virou para ele com uma expressão de incredulidade.

— Você perdeu a língua? Quer que eu faça isso por você? Depois do que você aprontou, eu é que não tenho cara de pedir nada a ela.

O velho lançou ao neto aquele olhar de quem lamentava profundamente o desperdício de um homem supostamente inteligente.

— Quando vocês ficaram juntos, eu achei que finalmente alguma coisa nessa família ia dar certo. Aí você vai lá e faz uma barbaridade dessas.

Quanto mais falava, mais irritado ficava.

— E não me chama de vô. Eu não tenho neto assim. Se você não consertar essa bagunça direito, nem apareça na minha frente.

Arthur não discutiu.

Seus olhos voltaram para a direção em que Larissa desapareceu.

Na escuridão da noite, aquelas íris profundas pareciam ainda mais negras. Nada em seu rosto entregava com clareza o que sentia.

Henrique soltou um resmungo.

— Do jeito que você é, vai acabar velho e sozinho. E bem feito.

Bateu a bengala no chão com força.

— Se não consegue abrir mão dela, por que fica parado aí? Vai atrás. Pede desculpa direito. Conversa com a menina.

Arthur finalmente demonstrou irritação.

— Não é por falta de tentativa. Ela nem me dá oportunidade de conversar.

Henrique quase perdeu a paciência de vez.

— Que homem inútil.

Respirou fundo antes de continuar:

— Escuta uma coisa, Arthur. Se todo esse seu suposto cuidado só existe dentro da sua cabeça e ela nunca consegue sentir nada além da dor que você causa, então isso não é cuidado. É só outra forma de machucar.

Arthur ficou em silêncio.

Henrique apontou a bengala para ele.

— Para de decidir sozinho o que é melhor para Larissa. Pergunta o que ela quer. Pergunta se ela aceita. O que você chama de proteção pode ser exatamente aquilo que ela mais odeia.

A irritação fez o peito do velho subir e descer.

Depois de alguns segundos, Henrique desistiu.

— Chega. Também cansei de olhar para a sua cara.

Fez um gesto impaciente com a mão.

— Eu volto sozinho. Não preciso de você. E enquanto Lari não perdoar você, nem pense em aparecer na mansão para me ver.

Dito isso, Henrique começou a se afastar.

Alfredo, atento como sempre, percebeu na mesma hora e veio ajudá-lo.

Arthur permaneceu onde estava.

Larissa chamou um carro por aplicativo e voltou para o apartamento.

No caminho, uma ideia começou a parecer cada vez mais óbvia.

Precisava comprar um carro.

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