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Armadilha Doce: Casei com o Irmão do Meu Ex romance Capítulo 473

Larissa a encarou, surpresa.

Alisa sabia desde o início o que a morte de Heloísa fez com ela.

Durante anos, Larissa carregou a certeza de que causou a morte da própria mãe, e aquela culpa transformou a menina expansiva de antes em alguém cada vez mais fechada, silenciosa.

Depois veio Ciro.

Foram cinco anos ao lado dele.

Para quem via de fora, Larissa simplesmente o amava demais.

Mas, para ela, Ciro representava muito mais do que um namorado.

Ele salvou sua vida.

Não apenas quando a tirou daquele lago, dez anos antes.

Na época mais escura de sua vida, Ciro se tornou a luz à qual Larissa se agarrou para continuar vivendo.

As palavras de Alisa fizeram os dedos que Larissa mantinha entrelaçados se soltarem de repente.

Como se um nó, apertado dentro dela havia tempo demais, finalmente começasse a ceder.

— Então você acha que eu devia perdoar Arthur?

Larissa a fitou, ainda atordoada. Havia uma tensão nova em seus olhos, como se a resposta importasse mais do que gostaria de admitir.

Alisa não respondeu de imediato.

— Lari, nem tudo na vida cabe em certo ou errado. Às vezes, as coisas simplesmente dão errado. Tem desencontro, tem circunstância, tem escolha que ninguém queria fazer.

Ela deu de ombros, com a franqueza de sempre.

— Eu sou bem simples com isso. Quem me machuca, eu devolvo em dobro. Quem me trata bem de verdade... eu valorizo enquanto posso.

Algo voltou a se mover dentro de Larissa.

E, vindo de Alisa, aquelas palavras não surpreendiam nem um pouco.

Larissa sempre achou que a amiga enxergava a vida com uma clareza que muita gente não tinha.

Por fora, Alisa parecia levar tudo na brincadeira. Um novinho fofo aqui, um homem perigoso ali, um flerte hoje, outro amanhã... como se amor fosse só mais uma diversão.

Mas Larissa sabia que era o contrário.

Aquela leveza provocadora era apenas a armadura que Alisa escolheu para usar.

Larissa se levantou de repente.

— Alisa, eu volto outro dia.

Nunca, em nenhum momento, sentiu tanta vontade de ver Arthur quanto agora.

Nem esperou a amiga responder. Pegou a bolsa e saiu do quarto quase às pressas.

Alisa ficou olhando para a porta por alguns segundos.

Depois soltou uma risada curta, resignada.

— Que ingrata.

Baixou os olhos.

Por um instante, uma sombra de inveja e amargura atravessou seu rosto, discreta demais para qualquer outra pessoa perceber.

Logo desapareceu....

Assim que entrou no carro, Larissa ligou para Arthur.

— Onde você está? Quero te ver.

Do outro lado da linha, a frieza que o acompanhou durante toda a manhã pareceu se desfazer de uma vez.

— Claro. Onde?

Larissa conferiu o horário no painel.

— Daqui a uma hora, no Restaurante Vista Celeste.

— Estarei lá.

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