Observando com atenção, a beleza daquela pessoa se destacava: o lado direito do rosto era mais longo que o esquerdo, uma característica marcante que diferenciava seus traços.
Esses eram detalhes facilmente visíveis, mesmo com a máscara cobrindo parte do rosto — sobravam apenas os traços expostos, cuja descrição não apresentava grandes dificuldades.
No entanto, o maior desafio estava justamente sob o tecido: o nariz, a boca e o contorno do rosto.
Aí entrava o conhecimento profissional.
Melina Barbosa aplicou sua expertise, utilizando técnicas de sombra e luz, com linhas precisas para captar os pontos de destaque e as sutilezas do rosto.
A proporção perfeita do rosto — os famosos “três terços” e “cinco olhos” — foi gradualmente tomando forma sob as mãos de Melina Barbosa. Assim, mesmo com a máscara, ela conseguia deduzir o contorno do suspeito.
O retrato ficou pronto com uma velocidade surpreendente, bem além do que a polícia esperava.
— Srta. Barbosa, já terminou tão rápido?
Melina Barbosa respondeu:
— Foi tranquilo. Se o Prof. Jonas estivesse aqui, certamente faria ainda mais rápido.
A polícia pegou o retrato feito por Melina Barbosa e digitalizou para o sistema de arquivos de identificação da cidade. Logo encontraram uma foto de arquivo, registrada dez anos antes, que coincidia perfeitamente com o retrato.
— Incrível, realmente funcionou!
Apesar de tratarem Melina Barbosa com todo respeito, no fundo os policiais duvidavam que ela pudesse concluir o trabalho com tanta rapidez e precisão.
Não era por menos: em toda a Cidade Capital, apenas Jonas Santos tinha fama de ser capaz de um trabalho tão especializado.
Como aluna de Jonas Santos, eles já achavam impressionante Melina Barbosa alcançar metade da habilidade dele.
Mas quem poderia imaginar que Melina Barbosa fosse tão talentosa quanto seu mestre?
— Muito obrigado, Srta. Barbosa, você nos ajudou enormemente.
— Não há de quê — disse Melina Barbosa, cordial.
— Melina Barbosa.
Quando saiu, Melina Barbosa avistou Gustavo Ferreira debaixo de uma árvore, esperando por ela. A luz da lua filtrava-se entre os galhos, suavizando seus traços.
Naquele instante, ele parecia menos rígido, mais gentil.
Melina Barbosa sorriu de canto e caminhou em direção a ele.
Ela se lembrou da infância, quando adoecia e sua mãe a levava ao Doutor de fitoterapia. Toda vez precisava tomar aqueles remédios amargos e escuros.
O gosto era forte, o cheiro estranho.
A mãe sempre tentava animá-la, brincando de fazer bolhas com a colher no chá, dizendo para ela beber rápido antes que as bolhas desaparecessem.
Naquela época, Melina, pequena, corria atrás das bolhas e acabava tomando tudo.
Terminando o remédio, a mãe lhe dava um doce caseiro de laranja cristalizada.
Depois do gosto amargo, aquele doce azedinho e suave fazia a vida voltar ao normal.
Melina Barbosa compartilhou essa lembrança feliz com Gustavo Ferreira.
Ele olhou para o sorriso radiante de Melina, pensativo.
...
No dia seguinte, Gustavo Ferreira realmente acompanhou Melina Barbosa e o vovô João Ferreira à consulta com o Doutor de fitoterapia.

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