— O que houve? O que está acontecendo? — perguntou Melina Barbosa, aflita.
A avó apressou-se em direção à cozinha e disse:
— Ainda bem que lembrei de preparar um chá de gengibre com açúcar mascavo para vocês.
Assim que se aproximou da cozinha, avistou Gustavo Ferreira, que estava diante do fogão.
— Gustavo?
Gustavo Ferreira virou-se para a avó e disse:
— Vovó, vá sentar um pouco e conversar com a Melina. Pode deixar que eu cuido disso.
A avó assentiu. Com Gustavo ali, ela sabia que Melina estaria bem acompanhada.
Ao chegar à sala, a avó falou para Melina:
— Vá tomar um banho logo, não vá pegar um resfriado.
Melina fez um beicinho:
— Mas eu queria conversar mais com você...
— Nada disso, primeiro o banho, depois conversamos.
Melina, então, levantou-se, fingindo manha:
— Está bem, vou lá.
Logo que terminou o banho, Melina ouviu vozes na sala.
Uma delas era muito familiar. Ao sair, se surpreendeu: era vovó Amanda.
— Vovó?
Vovó Amanda olhou para Melina com um sorriso acolhedor e disse:
— Meli, quanto tempo, minha querida.
Realmente, já fazia um tempo, pensou Melina.
Por causa de Roberto Barbosa, Melina sentia-se desconfortável. Por isso, evitava voltar à antiga casa da família Barbosa — não queria encontrar Roberto.
Sentindo-se culpada, Melina disse à vovó Amanda:
— Vovó, me desculpa...
Antes que pudesse terminar, vovó Amanda a interrompeu:
No fim das contas, toda mãe defende seu filho.
Melina compreendia os sentimentos da vovó Amanda.
Porém...
Ela não conseguiria perdoar Roberto Barbosa tão facilmente.
Disse:
— Vovó, para falar a verdade, meu tio ficou extremamente revoltado quando soube do que aconteceu. Ele não entende por que, depois de tudo o que fez por eles, foi traído dessa forma.
O sorriso no rosto de vovó Amanda desapareceu aos poucos.
Melina continuou:
— A senhora sabe da posição do meu tio. Se ele não tomar nenhuma atitude em relação a quem o prejudicou, como vai manter o respeito? Os parceiros de negócio vão acabar zombando dele.
— Então... — vovó Amanda perguntou, tateando o terreno.
Melina respondeu:
— Alguém precisa ser responsabilizado. Não acha, vovó?

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